SHAY
O SITE APAGOU TODA A HISTÓRIA. VOU CONTINUAR DA ONDE PAREI. QUEM NÃO LEU, É UMA PENA. NÃO DÁ MAIS PRA VOLTAR TUDO DE NOVO PORQUE JÁ TÁ NO FINAL. DESCULPA, JERRY. MAS QUEM MANDA
SER ATRASADO? VOU TENTAR RESUMIR: A SHAY E A ALISON ENGRAVIDARAM. A SHAY PERDEU E A ALISON NÃO SABE QUEM É O PAI. A NICOLE E O JUSTIN COMEÇARAM A NAMORAR. A SHAY FOI COM O JAKE
PARA UM CHALÉ ONDE CONHECEU A MELHOR AMIGA DELE, HANNA (LILY COLLINS) E DESCOBRIU QUE ELES PERDERAM A V. JUNTOS. ELES QUASE SE BEIAJARAM PORQUE A SHAY NÃO QUERIA MAIS DORMIR COM
ELE POR MEDO DE ENGRAVIDAR. ELES ESTAVAM VOLTANDO PRA ESCOLA QUANDO BATERAM O CARRO EM UM CAMINHÃO.
Eu estava acordada, mas ao mesmo tempo não estava. Conseguia ouvir o nada no meu quarto, até que alguém entrou no maior silêncio possível, mas eu ouvi.
- O que aconteceu? - Alguém sussurrou, parecia ser a voz do Chace.
- Eu não sei... Mas o horário de visitas acabou e ninguém pode nos ver aqui - Alison.
Ela tocou minha testa e eu sei que foi ela porque a unha era enorme.
- Será que ela tá bem? - Nicole.
- Acho que sim... Ela deve estar em observação, sei lá. - Alison respondeu.
Alguém botou meu cabelo para trás da orelha.
- E a gente ainda estava brigada - a Alison disse. - Por culpa sua!
- Minha? - O Chace perguntou.
- Sim! Eu devia saber... Nenhum garoto vale mais que a sua amiga.
- Mas, Ali...
- Eu cometi o maior erro e... Ela agora tá no hospital... E muito mal!
- O.k., eu não acho que todo esse stress vai fazer bem pra ela, gente. - A Alison disse.
Eu tentei me mexer, mas não consegui. Era como se eu pudesse ouvir, mas não interferir.
- Eu vou ficar aqui... Até ela acordar - Alison disse.
- A gente não pode fazer barulho. Estamos aqui ilegalmente. - A Nicole disse.
Alguém se sentou na poltrona ao meu lado. Outro ficou andando pelo quarto, e devia ser a Alison ou a Nicole, porque era salto.
Não sei se escutei mais alguma coisa, porque adormeci de novo. Mas eu meio que me senti bem com eles lá.
[...]
- Jake? - Eu acordei, gritando.
Todos os três tomaram susto ao me ouvir gritando o nome dele.
- Shay! Você acordou - a Nicole disse, me abraçando.
O abraço dela fez com que todo meu corpo doesse e eu caísse deitada na maca.
- Desculpe! - Ela disse, mordendo o lábio. - Desculpe.
- Shay! Que bom que você está bem. - A Alison disse e botou a mão no meu rosto. - Ficamos preocupados.
- Aonde ele tá? - Ignorei tudo que falaram. - Cadê o Jake?
Eles trocaram um olhar cúmplice e o porta-voz do pensamento foi o Chace.
- Eu acho que ele ainda não sabe, Shay.
- Ele sabe! E-Ele estava comigo! - Gritei.
- O que aconteceu realmente?
- Nós... Nós estávamos voltando do chalé dele e nós tínhamos brigado e... Um caminhão bateu na gente.
- Um caminhão? E você não lembra de mais nada?
Balancei a cabeça, negando.
- Eu não... Eu não sei, Shay. - A Alison disse. - Eu não sabia que vocês estavam juntas.
- Eu preciso saber... Por que ele ninguém fala dele?
A Nicole abaixou a cabeça e o Chace ficou calado. A Alison foi a única que entendeu o que estava acontecendo.
- Eu vou atrás do quarto dele. - Ela respondeu. - E... Eu sei que ele tá bem.
- Por favor, vai rápido, Alison.
Ela assentiu, já saindo pela porta. A Nicole segurou minha mão e a apertou.
- Tá tudo bem, Shay - ela sorriu.
ALISON
- Bom dia - ela disse à uma enfermeira que estava sentada em frente ao computador.
- Bom dia.
- Eu queria pedir uma informação. - Ela disse, sorrindo. - Um amigo meu está internado aqui e eu... Queria saber o quarto dele.
- Qual o nome?
- Jake... - Ela pensou. - Mas não sei o sobrenome.
- Assim fica difícil, minha filha - ela disse, estressada.
A Alison se espantou com a grosseria da mulher, mas insistiu.
- Ele... Sofreu um acidente de carro com outra amiga minha. Ela está no quarto 412...
- Quando foi isso?
- Acho que foi ontem.
Ela digitou alguma coisa e depois ficou durante dois minutos.
- Você não pode visitá-lo.
- Por quê?
- Ele está na ala de cirurgia. E não está recebendo visitantes.
Ela arqueou as sobrancelhas, enquanto a mulher simplesmente saía de lá e a deixava sozinha. Ali olhou para os lados e se sentou na cadeira para procurar. Havia milhões
de Jakes no hospital, mas a página do certo estava aberta. Ele estava no quarto 937, na ala de cirurgia.
- Droga - ela falou, enquanto a mulher voltava e ela saía da cadeira.
[...]
Ela chegou no quarto, que estava trancado. Muitos médicos estavam andando de lá para cá e um parou em frente à ela.
- Parente?
- Amiga. - Deu de ombros. - Ele está bem?
Ele analisou a Ali, de cima para baixo e seus olhos eram inseguros.
- Ele está em coma induzido. Sua situação é delicada.
- Coma? - Ela repetiu.
- Ele perdeu muito sangue e precisará de um doador. Seu pai está inválido para doar, por causa de uma Hepatite C.
- E a mãe?
- Ela está a caminho, mas não sei se chegará a tempo.
- Ele corre risco de morte?
O doutor assentiu.
- Foi tão sério assim? Eu digo... A namorada dele está bem!
- O impacto foi exatamente no banco do motorista, o que fez com que seu caso fosse mais sério.
- Eu não posso vê-lo? O-Ou trazer alguém pra isso?
- Não ainda. Apenas depois da transfusão de sangue.
O médico entrou na sala e ela continuou vendo pela parede de vidro. Ele estava cheio de aparelhos, muito mais que a Shay. E claramente respirava com dificuldade.
Ela ficou ali durante muito tempo até ter coragem de voltar.
[...]
Ela estava tomando um café horrível quando um menino a atropelou.
- Droga - ela disse, olhando para a blusa manchada. - Você bem que podia olhar por onde anda.
Ele deu a mão e ela o reconheceu. Era o tal jogador de futebol.
- Desculpa - ele disse, olhando para os lados. - Mas eu vim procurar minha irmã.
Ela franziu o cenho.
- A Shay? A Shay é sua irmã?
- Meia-irmã - ele assentiu. - Você a conhece?
Ela sorriu.
- Eu acho que todo mundo a conhece.
- Como ela tá?
- Ela tá... Indo. Já acordou e agora está melhor, mas...
Ele arqueou a sobrancelha direita, ficando extremamente lindo.
- Eu tenho uma notícia péssima para dar e... Eu não sei como fazer isso.
- Que notícia?
- O namorado dela... O Jake, ele tá... Péssimo. E corre risco de morrer.
Ele olhou para baixo.
- E ela ainda não sabe - completou. - Bem, acho que você tem que dar essa notícia.
- Isso é horrível. Ela vai... Desabar. Eles se amam pra caramba.
Ele assentiu.
- Bem, eu acho que é bom você dizer agora.
- Eu sei... Mas ela pode ficar pior.
- Acredite, vai ser pior se ela descobrir pelos médicos.
Ele olhou para ele, dentro dos olhos. Ele deu um sorriso carinhoso e ao mesmo tempo debochado.
- Vai ser bom ter alguém da família... Por perto.
SHAY
A Alison entrou no quarto com o Enrique atrás. Eu tive vontade de rir ao ver a cara de confuso do Chace, mas aquele não era lá o momento certo.
- Ei, Shay. Como você tá?
- E então? Como ele tá? Pode me ver? - Perguntei.
Ela e o Enrique trocaram um olhar cúmplice e depois ela respirou fundo.
- Shay... E-Ele...
- Tá bem, certo? Ele tá melhor do que eu?
- Ele perdeu muito sangue, Shay. E-Ele está mal.
Senti algumas lágrimas caírem mas eu não as enxuguei, não tinha problema chorar. Naquele momento, tudo o que menos importava era beleza.
- Mas ele vai ficar bem?
Ela abriu a boca mas nenhum som saiu dela.
- Ele vai morrer? - Murmurei, sem voz.
- Não, Shay. Ele vai... Passar por uma cirurgia e vai receber sangue da mãe dele.
- A mãe dele mora na Austrália! Ela vai demorar muito para chegar aqui!
- Mas ele só pode receber sangue de família nesse caso, eu... Não sei porquê, mas é.
- Eu tenho que ver ele - falei, querendo me levantar, mas um bando de aparelhos me segurava.
- Você não pode, S. - Explicou. - Ele... Está em uma área proibida para visitantes... Eu mesma fui escondida.
- Mas... Você é amiga, e nem é tão amiga assim! Eu sou... Eu sou... Ele é a coisa mais importante do mundo para mim! - Gritei.
- Nós sabemos, Shay. Mas é melhor você esperar - a Nicole disse.
Eu deitei na cama e enxuguei as lágrimas.
- A mãe dele já tá vindo? Por favor, diz que sim.
A Alison assentiu, me olhando com dó.
- Eu não... Não pode acontecer nada com ele! - Murmurei.
- Não vai, Shay. Pense positivo - o Chace disse.
Revirei os olhos.
- Isso não vai trazer ele de volta pra mim agora! E a última coisa que a gente fez foi brigar... Por causa de uma piranha!
- Que piranha? - A Alison perguntou.
Olhei para o lado para parar de pensar naquilo quando vi a Hanna olhando para todos os lados.
- Ela - disse. - O que essa... Vadia tá fazendo aqui?
Todos olharam para ela, que falava com uma enfermeira.
- Ela é gos... - O Enrique disse e depois mordeu sua própria língua. - Puta. Garotos comem elas, mas só gostam das garotas de verdade.
Revirei os olhos de novo.
- Bem, Nicole, o que você acha de dar uma lição nela? - A Alison disse, dando um sorriso debochado.
- Eu acho que é o que essa piranha merece. - Elas sorriram e foram atrás dela.
Por mais fútil que fosse, aquilo me fez sentir um pouco melhor. Eu sabia que elas dariam uma boa lição na culpada.
NICOLE
A Alison cutucou o ombro da Hanna com força.
- Sim? - Ela perguntou, se virando.
- Hanna? - Alison. - Estávamos a sua procura.
- E quem são vocês? Posso saber?
- Somos amigas dela... - A Nicole apontou para mim. - E eu acho que você precisa de ajuda.
Ela seguiu o dedo e seu rosto mudou de expressão. Ela engoliu em seco.
- O que você está fazendo aqui?
- Eu queria ver o Jake, soube do acidente e... - Ela cruzou os braços.
- E devia... Afinal você é a culpada de tudo - Nicole disse.
- Não sou não! A Shay é!
- Você quis beijar ele e você provocou ela, Han. - Alison falou, com deboche. - Então, vamos te fazer um favor, saia daqui.
- Eu tenho que falar com ele!
- Ele tá quase morto por sua culpa, vadia - Nicole.
- Ele tá mal?
- Pior que mal. Ele tá... Precisando de sangue.
- Eu dô!
- Querida, ele precisa de sangue e não veneno - Alison riu.
Hanna revirou os olhos, de braços cruzados.
- Vocês duas não vão me impedir.
- Ah, sério? Eu acho que vamos.
- E vão fazer o que?
A Nicole revirou os olhos e sorriu.
- Seu cabelo é tão lindo, não?
- Ah, obrigada - ela sorriu.
- Mas acho que pode melhorar - a Alison disse e derrubou vinho na cabeça dela.
Por que ela carregava vinho na bolsa, eu não sei.
- Ah meu Deus! - A Hanna gritou.
- De nada. Você ficou uma gata... Com isso.
- Vocês são loucas!
- Obrigada, muito obrigada - riram. - E você é uma vadia.
- Isso não vai me impedir de falar com ele!
- Você é bem persistente, Han. Mas é uma pena que ele realmente esteja incapacitado... E por sua causa.
- Eu não fiz nada, sua idiota! Foi a Shay que...
- Brigou com ele? Por favor, nós todas sabemos que ele é louco por ela.
- Eu o faço esquecer.
- Cara, como você tem pouco amor próprio. Você é... Bem, você tem que raspar essas taturanas na testa, mas você é olhável! Para de correr atrás de quem não te quer.
Ela respirou fundo e saiu caminhando, toda suja de vinho. Ela estava com os punhos cerrados mas fora embora do hospital. E com sorte, das nossas vidas.
ALISON
Ela estava sentada, comendo um sanduíche natural quando o Chace se aproximou dela.
- E aí?
- E aí. - Disse, franzindo o cenho.
- O que você ia me contar? Quando te ligaram...
Ela abriu a boca, mas ao ver o Enrique se aproximando, desistiu.
- Nada. - Disse, comendo o último pedaço. - Cara, eu tô morta de fome.
- Você já não comeu dois?
- Três - ela disse, bebendo o refrigerante. - Mas esses dias estou com muita... Muita fome.
Ele a olhou com a testa franzida, nunca a vira comendo tanto.
- Você está com medo? Pelo Jake?
- Eu acho que vai dar tudo certo. Ele vai voltar pra Shay.
Ele assentiu.
- Posso me sentar aqui? - O Enrique perguntou.
- É claro... - Alison disse, sorrindo.
- Que não - o Chace completou. - Nós estamos conversando, cara.
- Chace!
- Não, tudo bem - ele disse. - Eu procuro outro lugar.
- Não, Enrique, sente aqui. Não estamos conversando nada particular.
O Enrique alternou o olhar entre os dois e se sentou.
- Do que vocês estavam falando?
- Sobre a Shay e o Jake.
- Eu queria ter conhecido o Jake antes do acidente.
- Ele é um cara legal.
- Imagino. Para ela gostar dele.
- A Shay é... Ela sempre se joga nos relacionamentos, às vezes demais. Mas nesse caso... Eles são perfeitos um para o outro.
- Pude perceber - o Enrique disse e o Chace se levantou. - Seu namorado?
- Ah, não! E-Eu não tenho namorado.
- Sério? Ele é bem... Possessivo.
- Nós fomos namorados mas... Não somos mais.
- Por quê?
- Vários motivos. Ele e a Shay ficaram... Duas vezes.
- Ela não está com o Jake há tipo... Dois meses?
- Mas eles se separaram duas vezes... Ou três.
- Namoro ioiô.
Ela assentiu.
- E você?
- Eu o quê?
- Tem algum namorado ioiô?
- Não... Eu não tenho mais nenhum namorado.
- O Chace foi seu último?
- Na verdade, não. Mas... O meu último namorado não quer nem olhar na minha cara.
SHAY
Eu estava deitada, sem fazer nada e o Chace entrou no meu quarto.
- Quem é ele?
Arqueei a sobrancelha.
- Ele quem?
- Esse... Viado que fica dando em cima da Ali.
- Enrique. Ele é meu meio-irmão.
Ele revirou os olhos.
- E tem que ficar justamente em cima da Ali?
- Eu não vi isso, Chace...
- Mas você não está vendo nada. Só pensa no Jake.
- Eu sei, mas... Ele estava apenas com ela quando ela voltou. Grande coisa!
Ele me olhou.
- Você sabe o que ela tem, Shay? Ela ia me contar uma coisa quando a ligaram e falaram sobre você...
- Quem ligou?
- Sua mãe, eu acho.
- Ótimo... Eu meio que preciso dela agora.
Ele pegou minha mão e entrelaçou seus dedos no meu.
- Ei, você vai ficar bem, Shay.
- Eu realmente não estou pensando em mim agora.
- O Jake também vai. Ele é durão.
- E bem teimoso e cabeça-dura e...
- E você é louca por ele.
Suspirei.
- Eu sei! E... Eu preciso dele, agora.
A Alison entrou no quarto e olhou para mim e o Chace de mãos dadas. Ela tentou sorrir, mas formou uma careta.
Eu soltei a mão dele e cocei o rosto, para disfarçar.
- Ei, Shay... Eu pensei que talvez você quisesse ver o Jake.
- Eu posso?
- Bem, se você conseguir andar, eu acho que sim.
- Eu consigo - falei, me levantando, mas senti tontura e quase caí mas o Chace me segurou.
- A gente vai ter que ir escondida.
Assenti.
- E... Vai querer passar maquiagem? Você está com uns arranhões no rosto.
Revirei os olhos.
- Chace, me ajuda a andar por favor? - Pedi.
Ele botou a mão na minha cintura, enquanto eu me apoiava no seu ombro. A Alison não fez uma cara lá muito boa com isso.
[...]
Ele estava deitado em uma máquina cheia de aparelhos quando eu cheguei. Me deu um aperto no coração vê-lo daquele jeito. Seu rosto estava cheio de cortes e seus lábios
estavam enchados.
- Ah meu Deus - eu murmurei, me soltando do Chace.
Eu peguei a mão dele e a apertei, ele mexeu um pouco a boca e meu coração saltou, pensando que ele pudesse acordar.
- Vocês poderiam me deixar a sós com ele? - Pedi. - Isso só vai levar alguns minutos.
Os dois saíram do quarto e fecharam a porta. Eu enxuguei uma lágrima que caiu.
- Você está péssimo - Dei um sorriso. - Mas pelo menos está vivo.
Eu toquei seu rosto com o dedão e suspirei.
- Me desculpe... Se eu pudesse voltar atrás e não fazer aquele escândalo, eu voltaria... Mas eu não posso. E... Foi tudo culpa minha. Você estando assim, tudo! Foi culpa minha.
Ele se mexeu e eu esperei que ele acordasse, mas ele apenas respirou fundo.
- Me desculpe - repeti e aproximei meus lábios dos seus, para um selinho.
Fui até a porta e toquei o trinco, mas então ele sussurrou:
- Shay.
Eu voltei correndo para a maca, ignorando a tontura e me sentei ao seu lado. Peguei sua mão novamente e a apertei. Acabei passando a noite lá, esperando que ele repetisse
meu nome mas isso não aconteceu.
[...]
Minha mãe chegara pouco depois do almoço. Ela estava acompanhada do Phill e me esmagou assim que me viu.
- O-Oi, mãe. É bom vê-la também.
- Shay! Você não sabe como fiquei preocupada com você!
- Eu estou bem - falei, sorrindo amarelo.
O médico entrou no meu quarto, sorrindo.
- Então, você é a Shay? Sua mãe entrou gritando o seu nome.
- É... É bem a cara dela. - Sorri.
- Tudo bem. Porque essa foi sua última noite aqui.
- O quê?
- Isso, daqui a duas horas você poderá sair daqui. - Ele disse, sorrindo.
- Eu não posso! Eu tenho que ficar perto do Jake!
Minha mãe botou meu cabelo atrás da orelha.
- Filha, eu acho que é melhor você repousar esses últimos dias de recesso e...
- Eu não vou deixá-lo, mãe! Ele nunca faria isso comigo.
- Mas é o melhor para você.
- Não! Eu não me importo, o que me importa é ele!
- Jake era seu namorado? - Perguntou o doutor.
- Ele é meu namorado.
- A mãe dele chegou há algum tempo. E-Ele está melhor... Mas ainda não acordou.
- Ele está em coma, mãe. E-Eu não posso deixá-lo!
- Ele vai ficar bem, Shay. Em alguns dias, deve acordar.
- E eu quero estar aqui! E-Eu preciso, mãe... Não posso ir pra casa agora.
- Vou dá-la meia hora para vê-lo, mas depois, apenas parentes. - O médico disse e saiu do quarto.
- Filha, se vista e depois... Depois de ficar com ele, nós vamos almoçar na casa do seu pai, mesmo que esteja tarde.
Ela saiu do quarto para que eu me vestisse. Eu procurei meu celular, mas estava sem. Vesti minha calça jeans, a blusa e um casaco.
- Vamos? - Minha mãe perguntou.
- Eu vou ficar com ele. Pelo menos trinta minutos.
Ela ia negar, mas eu não ouvi. Andei até o quarto dele e abri a porta, dando de cara com a sua mãe.
A mãe do Jake era muito bonita. Tinha cabelo chanel e olhos castanhos. Era alta e magra. E sorriu ao me ver.
- Você deve ser a Shay. Jake andava falando de você.
- Ele andava? - Sorri.
- Muito. Na verdade, mais do que já falou de qualquer menina. - Ela disse. - Eu a vi quando cheguei.
- Como assim?
- Eu a vi, deitada com ele. Foi uma posição muito ruim para dormir.
Dei de ombros.
- Isso não importava... Eu precisava ficar com ele.
- Eu ainda não sei o que aconteceu. E pensava que você poderia me dizer.
Eu sentei ao seu lado no sofá, o que foi meio estranho. Ela me ofereceu refrigerante do frigobar que havia lá.
- Nós brigamos... E discutimos no carro. - Falei, por fim.
- E por que a discussão?
- Por causa...
- Da Hanna? - Ela revirou os olhos. - Nunca gostei daquela menina.
Ela tocou meu joelho.
- Mas eu gosto de você, Shay. - Ela disse e sorriu, gentil. - Eu nunca vi meu filho falar de uma garota como falou de você.
- Ele também é... Especial demais pra mim.
- Ah querida, você não é apenas especial para ele. Eu diria que é essencial.
Eu olhei para ele, deitado, respirando por aparelhos.
- Você sempre será bem vinda aqui. E eu ficarei na cidade até que ele acorde, qualquer coisa, estou no Hilton.
Assenti.
- E... Se puder visitá-lo de vez em quando, eu agradeceria. Eu acho que você faz bem pra ele.
Eu olhei para ele, pela última vez. Sabia que demoraria muito tempo até que o visse novamente.
ALISON
Ela bateu na porta do Ian várias vezes até que ele atendesse. E sua cara passou de surpreso a ódio em segundos.
- O que você tá fazendo aqui? - Ele perguntou, com os olhos semicerrados.
- Eu preciso falar com você, Ian. E é... Muito importante.
- Não tenho nada para falar com você - ele fechou a porta, mas ela botou o pé.
Ela entrou e ficou em frente a porta.
- Ian... Eu tô grávida.
Ele retesou o corpo e olhou para ela, assustado e se virou para ela.
- O quê?
- Eu... - Ela piscou várias vezes e respirou fundo. - Eu estou grávida.
- E como você sabe que é meu?
- Eu não sei... Eu... Queria pedir para você fazer um teste e...
- Um teste? Essa... Coisa não é minha.
- Isso é um bebê. E pode ser seu.
Ele chegou bem perto dela.
- Eu usei camisinha.
- É, e aparentemente ela rasgou.
- Eu não vou fazer teste nenhum. Você é menor de idade.
- Não daqui a três dias. E aí sim você não vai poder ser acusado de pedofilia.
- Eu não sou pedófilo! Eu... Você me seduziu!
Ela arqueou a sobrancelha.
- Eu... Não quero saber de você - mentiu. - Eu só quero... Eu quero um pai pro meu filho. Porque eu não fiz ele sozinha.
- Esse filho é do Chace.
Deu de ombros.
- Pode ser - falei, balançando a cabeça. - Mas também pode ser seu.
- Não é.
Ela lambeu os lábios.
- Eu estou com um mês e o teste só deve ser feito depois do terceiro... Então você ainda tem três meses para pensar.
- Eu não preciso pensar.
Ela revirou os olhos e assentiu.
- Você sabe o meu número - e saiu.
SHAY
Então, o Chace iria comigo para o almoço de Ação de Graças. Isso era uma coisa que só um amigo faria.
- Obrigada - disse, assim que subimos para o meu quarto.
- De nada. - Ele sorriu. - Você deve estar péssima.
Respirei fundo.
- Eu estou levando... É difícil.
- Ele vai ficar bem, Shay.
- Eu espero... Mas e se alguma coisa pior acontecer? E se ele... - Engoli em seco.
- Ele não vai.
Olhei para cima.
- E-Eu só... Queria voltar no tempo. Tudo isso foi culpa minha.
- Não foi culpa sua, Shay. Foi um acidente.
- Se eu não tivesse brigado, nós teríamos ficado lá e... Teria sido melhor.
Ele enxugou umas lágrimas que teimavam em cair.
- Você vai ver, que no máximo em uma semana, ele já vai estar com você.
- Eu acho que não... Eu sei de casos de pessoas que ficaram em coma por anos!
- Ele não vai ser uma delas.
Olhei pela janela, que dava para a praia de Malibu.
- Eu só... Só queria que ele acordasse.
O Chace botou a mão no meu ombro, solidário.
- Você vai ver que ele não vai demorar nada. E vocês vão ficar juntos de novo.
TRÊS MESES DEPOIS - CHAPTER TWENTY-TWO
Hoje fazia três meses desde o acidente. Três meses que o Jake ainda está em coma. Três meses sem ele.
Eu já estava melhor, digamos que tinha me acostumado. Não tinha ficado, beijado e nem sequer flertado com ninguém, mas também não passava o dia sem sorrir como nos primeiros
dias. A vida continuava e por mais que doesse, eu tinha que continuar com ela. Meus amigos tentavam sempre me fazer esquecer, mas sempre que deitava na minha cama, eu chorava.
O Chace estava passando muito tempo comigo e a Alison não gostava, mas também não vetava.
Naquele dia em particular, o dia estava nublado. Bem nublado mesmo, do tipo que às três horas da tarde parecia com cinco da manhã.
Eu estava na aula de biologia quando meu celular tocou.
- Senhorita? - O professor perguntou. - Poderia desligá-lo? Ou terei que confiscar?
- Eu... - Falei e fiquei boquiaberta ao ver o número. - Eu tenho que atender.
Saí da sala, sob protestos e assobios. Fechei a porta e atendi.
- Alô? - Perguntei.
- Shay! Graças a Deus. Você pode vir ao hospital agora? - A mãe dele perguntou.
- Aconteceu alguma coisa com ele?
- Sim. - Ela suspirou. - Ele acordou e está chamando por você.
- E-Ele está? - Olhei para a sala de aula. - Eu, ahn... Chego aí em vinte minutos.
[...]
Assim que o vi, foi como se o mundo inteiro parasse. Ele estava com o rosto sem mais cortes e sorriu ao me ver.
- Eu vou deixá-los a sós - a mãe dele disse e saiu.
Eu não sabia o que fazer. Minha bolsa - com celular novo, livros, óculos, tudo dentro - caiu no chão e eu pisei em cima para chegar perto dele. Eu o abracei, fazendo de tudo para não machucá-lo. Minhas lágrimas
começaram a ensopar o lençol dele, até que levantei a cabeça e olhei nos seus olhos.
- Desculpe... Dói? - Perguntei.
- Um pouco... Mas eu prefiro que doa do que você não estar aqui.
Sorri.
- Você não sabe a falta que fez... Na minha vida... Na minha cama e... - Revirei os olhos.
Ele acariciou meu rosto.
- E foi tudo minha culpa... Você estar aqui entre a vida e a morte e...
- Culpa sua merda nenhuma, Shay. Eu mereci estar aqui.
- Como é que você pode dizer isso?
- Eu magoei você... Com outra que não vale nem um fio de cabelo seu. Me desculpe.
Engoli em seco e sorri.
- Você é perfeito - falei e aproximei meus lábios do dele.
O beijo foi perfeito, talvez por causa da saudade de ambos os lados. Seus lábios estavam meio ressecados, mas aquilo não foi problema. Suas mãos foram para o meu rosto.
- Eu senti a sua falta - ele sussurrou, com a testa colada na minha.
- Você estava dormindo. Eu, sim, senti a sua falta.
Ele sorriu e eu senti seu hálito no meu rosto.
- Quando você vai sair daqui? - Perguntei.
- Em dois dias - um homem respondeu, atrás de mim.
Eu me virei, ainda sentada na maca, para ver o pai do Jake.
- Pai? O que você tá fazendo aqui?
- Eu sou seu pai. Eu saberia que você estava mal. - Ele falou. - Eu tenho vindo aqui nos últimos três meses.
Era mentira. Ele nunca tinha vindo visitar o filho, mas o olhar dele me congelou. Ele não gostava de mim e deixava isso claro.
- Eu não me lembro.
- E como lembraria? Estava cheio de remédios e estava em coma!
- Cadê a minha mãe?
- Eu não a vi! Pensei que estava aqui apenas com a sua namoradinha.
- O nome dela é Shay. E ela não é minha namoradinha, ela é minha namorada.
O pai dele deu de ombros.
- Eu fico feliz que tenha acordado, Jake. Eu... Fiquei muito preocupado - ele disse e tirou uma coisa do bolso. - E tenho um presente para você.
Ele botou uma chave na mão do Jake, que olhou com cara de nojo.
- Um carro?
- Não. Um barco... Você ainda não deve andar de carro.
- Um barco? - Ele arqueou a sobrancelha. - Eu dispenso.
Ele levantou o braço para jogar a chave no pai e acabou fazendo esforço demais. Eu passei a mão no seu rosto.
- Fique calmo. - Sussurrei.
- Jake... Você pode achar que eu não me preocupo com você, mas eu me preocupo, filho. Muito.
- Posso sentir - bufou.
O homem o fuzilou com os olhos e então seu olhar passou pra mim.
- Você acha que ela se importa, Jake? Que ela faria tudo por você? - Ele balançou a cabeça. - Ela não fará.
- O quê? - Perdi a paciência. - E quem é você pra falar de mim?
- Eu sou o pai dele! E ele merece alguém...
- Ele merece alguém que ame ele! Porque ele... Ele é o garoto mais perfeito que eu já conheci! E eu... Eu faria tudo por ele. Sim!
Talvez fosse imaginação, mas o pai dele deu um meio sorriso. E depois saiu.
- E-Eu...
- Deixe pra lá - ele disse. - Eu perdi três meses da minha vida... Eu tenho que recuperar isso.
- Nós vamos - falei, sentando ao seu lado. - Porque eu vou estar com você pra sempre. E eu vou voltar a fazer das suas camisas, os meus pijamas. - Sorri.
Entrelacei nossos dedos e ele me beijou.
CHACE
Então, ele e a Shay tinham se aproximado bastante nos últimos meses. Tinham se tornado quase melhores amigos, mas nunca passava disso. O que de certar forma era bom, mas
de outra era ruim, porque a Alison sabia disso. E ele não poderia fazê-la ciúmes.
Ele até se senti mal por se aproveitar de mim, mas ele se sentia pior sem a Ali. Principalmente da proximidade dela com o Enrique.
E agora, teria outro concorrente. Pelo menos, achava que o Jake estava de volta, porque eu nunca sairia da escola daquele jeito por nenhuma outra pessoa. Tínhamos uma conectividade
que nem ele e a Ali tinham. Nem teriam.
Ele sabia disso, mas estava disposto a lutar pela sua Ali. E usaria de todas as armas pra isso, mesmo que fizesse-me sofrer, mesmo que tivesse que lutar com o Jake, com o Justin. Iria
ser maldade, mas a Ali voltaria para ele. E era tudo o que importava.
ALISON
- Isso não me incomoda - a Alison murmurou entredentes, assim que viu como o Chace e eu entramos na sala.
Ela desviou os olhos quando eu me sentei ao seu lado e o Chace logo atrás e não se virou.
- Ei... Gente - ela murmurou.
Ainda não tinha contado para o Chace sobre a gravidez, mas pretendia. Porém sempre que ela tentava marcar algo, ele já tinha compromisso comigo.
E isso a incomodava profundamente.
Ela viu o Chace esticar o dedo para me dar um papel exatamente no minuto em que meu celular tocou. Quando saí da sala, ela aproveitou.
- O que vai fazer hoje? - Perguntou a ele.
- Eu... - Ele olhou para o bilhete. - Nada.
- Ótimo... Pode me encontrar no café?
- Por quê?
- Porque... - Ela começou a falar, mas foi interrompida...
- Alison, poderia se calar, por favor? - O professor pediu.
Ela bufou mentalmente, mas se calar. E afinal, tinha que se preparar. Depois que contasse à ele o que aconteceu, tudo pioraria.
SHAY
Ao voltar para a escola, já tinha batido o sinal de recolher, mas aquilo não importava. Fui até ao café que tinha lá e pedi um cappuccino e quando recebi, vi a Alison com o Chace.
Fiquei em dúvida se ia até lá ou não, mas ele acenou para mim.
- E aí? O que foi aquilo na aula? - Ele perguntou.
- O Jake acordou - sorri. - Ele finalmente acordou.
- Sério? E o que você está fazendo aqui? - A Alison perguntou.
Tentei levar na esportiva, mas ela parecia estar me expulsando.
- Não podia passar a noite no hospital. E na sexta ele vai pro hotel com a mãe dele... - Dei de ombros.
A Alison sorriu.
- Você devia preparar algo especial! Sabe... Você me entende - ela piscou.
- Você acha?
Ela assentiu. Se eu não conhecesse a Alison, diria que ela estava sendo sincera, mas tinha algo por trás. Eu tinha certeza disso.
Ela olhou rapidamente para o Chace e depois sorriu pra mim.
- Eu acho que vocês podem... Recuperar o tempo perdido - murmurou.
- Mas... Ele ainda está mal.
- Nada que você não possa ajudar a curar, certo?
Semicerrei os olhos.
- Eu vou ficar com ele... Mas eu ia sair com o Chace na sexta.
Ela me fuzilou com os olhos, mas depois se controlou.
- O Chace entende, não é Chace? - Ela perguntou.
- Na verdade... Eu tinha comprado dois ingressos para nós... Dois.
- É, e você sabe, da mamãe fogos-de-artificio - sorri.
- O filme da Katy Perry? - Ela perguntou. - Eu adoro a Katy Perry.
Lambi os lábios.
- Você pode vir... Se arranjar um ingresso.
- Eu arranjo - ela sorriu. - Mas... Se o meu namorado estivesse mal, eu largaria tudo por ele.
- Eu não posso largar tudo, Alison. Tá no final do ano, tem vestibular...
Ela revirou os olhos.
- Você vai ser modelo, Shay! Não precisa de vestibular. - Ela disse. - Vai... Tenho certeza de que eles transferem o dia dos ingressos.
- Ah... Tudo bem, Chace?
Ele assentiu, mas bufou. A Alison se sentou novamente, sorrindo. E eu me afastei.
Ela devia estar com ciúmes, o que era aceitável, considerando meu histórico com o Chace. Mas eu não estava mais interessada nele, nem fiquei, mesmo sem o Jake.
E esperava não ficar, também.
ALISON
- O que foi aquilo, Alison? - Ele perguntou, chateado.
- Eu só falei o que achei que ela devia fazer.
- Você estava sendo ridícula, Alison!
- Com licença? Eu não estava fazendo nada demais! Se fosse você, eu...
- Acontece que você terminou comigo, lembra?
Ela engoliu em seco.
- E-Eu... Me desculpe.
Ele bufou.
- Eu vou embora daqui.
- Não! - Ela gritou, segurando sua mão. - Eu preciso falar uma coisa com você.
- O quê? Que agora eu não posso ser amigo da Shay?
- Não! Não tem nada a ver com ela. É-É bem mais sério que isso.
- O quê?
- Chace... - Respirou fundo. - Eu...
Estava sendo bem mais difícil do que ela esperava. Ainda mais difícil do que contar para o Ian.
- Você o quê?
- Eu estou grávida - falou, por fim e bebeu um longo gole do refrigerante.
O rosto do Chace mudou do surpreso para o chocado e depois confuso. Ele a fitou com aqueles olhos azuis.
- Você está grávida?
- Aham... Não percebeu que eu estou obesa?
- E é meu? A gente só transou duas vezes, Alison.
Ela deu de ombros.
- Tem gente que engravida na primeira, Chace. Mas... Eu não sei se é seu.
- Ah... Então eu não sou o pai? Então, veio só esfregar na minha cara?
- Não! E-Eu nunca faria isso, Chace. Eu... Você
pode ser o pai e pode não ser.
- E como você vai saber? Ver com quem ele se parece quando nascer?
- Não! Eu vou fazer um teste de DNA, e você também tem que fazer.
- Eu não vou fazer merda nenhuma! Esse filho não é meu e sim do seu namoradinho. E aliás, quem é ele?
Ela olhou para os lados e sussurrou o nome dele.
- O professor? Você é louca, Alison?
- Eu... Mas acabou! O problema é... Esse bebê! E eu não vou tirar, não sou capaz disso. E eu preciso da ajuda de vocês dois.
- Eu vou ter que competir pela paternidade dele?
- Não é competição, Chace. É um teste sério. Se for você... Eu espero que assuma as responsabilidades... Não preciso de dinheiro, mas quero que meu filho tenha um pai.
Ele ficou calado durante um bom tempo, fitando a mesa. Depois suspirou e falou com a voz firme:
- Se for meu, eu vou assumir. Mas se não for... Nem espere que eu olhe pra isso. - Disse e se levantou.
A Alison ficou parada, sozinha. Algumas meninas olhavam para ela e riam, outras ficavam com olhar de pena. O que fazer em uma situação dessas?
- Ahn... A conta, por favor.
SHAY
Tinha acabado de chegar no quarto e o Chace entrou, sem nem bater.
- Você não estava com a Alison?
Ele não falou nada. Seu rosto estava pálido demais e ele me abraçou.
- Ahn... O que foi isso? - Perguntei.
- Ela tá grávida... Eu posso ser pai!
- A Ali tá grávida?
Ele assentiu.
- E você é o pai?
- Eu posso ser... Ainda tem o namorado dela.
- O professor de inglês - falei e suspirei.
- Você sabia?
- E-Ela me contou... Enquanto nós brigávamos.
Ele olhou para cima.
- Eu não posso ser pai, Shay. Acabei de ser aceito em Oxford.
- Você vai para a Inglaterra?
Ele bufou.
- Se eu for pai, eles vão querer cancelar... Dar para outra pessoa que não esteja tão ligado com os Estados Unidos.
- Eles não vão cancelar por isso. E... Isso pode ser feminista e tal, mas a única que tem mais a perder é a Alison. Ela... Ela tem dezoito anos, não vai conseguir cuidar
de uma criança. E eu sei porque eu passei por isso.
- Você ficou grávida?
Balancei a cabeça.
- Não importa. Primeiro, você tem que esperar para ver se é seu. Vocês usaram camisinha?
- É claro!
Engoli em seco.
- É... Foi uma pergunta idiota, eu e o Jake também sempre usamos. - Mexi na franja dele. - Calma, Chace. V-Vai ficar tudo bem.
Ele bufou e olhou dentro dos meus olhos. E talvez por impulso, se inclinou pra me beijar.
- Epa! - Disse, botando minha mão entre nós dois.
- Shay... Desculpa. E-Eu não fiz por mal.
- Tudo bem... Só... - Pisquei. - Eu tenho namorado, Chace.
- É que... Esses últimos meses a gente ficou tanto tempo junto que...
- Como amigos. Pensei que isso fosse claro.
- Desculpe... - Ele disse. - Eu só... Foi por impulso.
Ele saiu do quarto, de cabeça baixa. Senti pena, já que podia ter um filho e eu não queria ter nada com ele, mas o Jake tinha acabado de acordar e eu não poderia fazer nada,
a não ser que fosse com ele.
CHACE
Depois da notícia bombástica da Alison, ele tinha se sentido... Diferente em relação a ela. Talvez fosse impressão, mas sentia que agora tinha desapaixonado por ela.
E havia eu, já que passamos tanto tempo juntos que talvez ele estivesse confundindo um pouco amizade com atração e esquecido um pouco que queria apenas fazer ciúme. Mas
de quê adiantava? Ele devia ficar com uma garota que gosta e não a Alison que só desdenhava dele. Ela sempre escolheria os outros ao invés dele. Ian, Enrique. Ele era
sempre o ex. Talvez fosse bom esquecê-la. E já que gostava de mim, mesmo que como amiga, ele estava determinado a ficar comigo. Ele tinha raiva da Alison e ela seria perfeita
para esquecê-la de vez. E era isso que iria fazer.
CHAPTER TWENTY-TWO
Bati na porta do quarto da mãe dele duas vezes. E ele mesmo abriu.
- Ei! - Falei e o abracei.
Ele estava com a perna enfaixada, mas de resto era apenas isso. Seu rosto continuava o mesmo, assim como seu jeito bad boy/romântico.
- Bom dia, Shay - a mãe dele disse.
- Bom dia - sorri. - Ahn... Como vai?
- Estou indo. Esta não é mais a minha suíte.
Arqueei a sobrancelha.
- Meu filho consegue viver sozinho durante três dias.
- Pensei que fosse duas semanas.
- Não, eu vou voltar na segunda pra escola - ele disse, sentado.
Ela assentiu.
- Qualquer coisa, estou no quarto 232. E... Juízo - ela disse e fechou a porta.
- Sua mãe é bem liberal, não?
Ele deu de ombros.
- Você disse que tinha outros compromissos hoje... E que viria apenas depois.
- Eu tinha... Mas desmarquei - sorri e me sentei ao seu lado. - Como você tá?
- Melhor agora que você tá aqui.
Sorri.
- E como você vai acompanhar a escola?
- Eu dou meu jeito. E eu já passei em algumas faculdades.
- Tipo quais?
- Yale e Stanford. - Ele disse e suspirou.
Sorri e ele me beijou. Seu beijo já começou intenso, como se quisesse recuperar todos os três meses em abstinência, ele passou a mão no meu rosto e colou nossos corpos, assim que deitamos na cama.
- Eu senti a sua falta - falei, respirando fundo.
Ele estava por cima de mim, com os lábios no meu pescoço e mesmo com a perna quebrada, me fazia sentir no céu. E ainda estávamos na agarração.
- Eu também senti a sua falta - ele disse, fazendo cócegas.
- Você nem percebeu, Jake. E... Eu fiquei sem você durante três meses.
Ele sorriu de lado.
- Você deve ter achado alguém.
- Você sabe que eu não fiz isso. - Falei.
Ele me beijou mais uma vez, continuando de onde tínhamos parado. Não deu para recuperar os três meses, mas a saudade e a vontade de ficar junto deixou tudo ainda melhor.
NICOLE
Ela estava tentando pintar as unhas quando o Justin entrou no quarto.
- Oi - ela sorriu e o deu um selinho. - Que foi?
- Então... - Ele disse. - Hoje é sexta feira. E a gente não vai ter prova segunda.
- Diga por você. Eu tenho que ler um livro!
- Não importa. Você já leu, eu sei.
- Mas preciso revisar! - Ela sorriu.
Ele revirou os olhos.
- Bem... Eu tinha feito outros planos, mas...
- Que planos? - Ela perguntou, curiosa.
- Eu pensei que podíamos... Ir a um jantar, no melhor restaurante de Los Angeles.
- Eu sinto informar que o restaurante é a duas horas daqui, bebê - disse, olhando para suas unhas.
- Por isso eu aluguei um quarto de hotel. Por uma noite - ele disse.
Ela olhou para ele, surpresa.
- Você está brincando!
- Não. Você sabe que eu faço de tudo pra te agradar, linda. Então, aceita?
- Qual hotel? - Semicerrou os olhos.
- Hilton - sussurrou no seu ouvido e desceu os lábios até o seu pescoço.
Ela inclinou a cabeça, rindo por causa das cócegas. Ele a beijou com força, se deitando por cima, mas logo depois levantando.
- Melhor deixar para a noite. - Disse, sorrindo de lado. - Tchau. Te vejo mais tarde.
Ela sorriu para ele, apaixonada e boba. E foi escolher uma roupa para ir ao jantar, mesmo que o que mais importava não precisasse.
SHAY
- Como você consegue fazer isso com a perna quebrada? - Perguntei, rindo e cansada.
Ele deu de ombros e continuou passando os dedos no meu rosto e pelo meu corpo. Olhei para ele e apoiei meu queixo na minha mão.
- Você lembra de alguma coisa... Sabe, minutos antes do acidente?
- Poucas. Eu lembro que eu lhe magoei, e isso é pior do que o acidente em si.
- Você lembra por que?
- Por eu quase ter beijado a Hanna e por você ter descobrido da pior maneira que ela foi a minha primeira vez.
- Não é por isso... Só isso. - Revirei os olhos. - Você mentiu... E não tinha motivo. Porque... Todo mundo tem uma primeira vez, não? A minha foi com você.
Ele me beijou.
- A minha também foi com você, tecnicamente.
- Não foi não. A sua foi com a Hanna, em uma canoa - lambi os lábios.
- Eu nunca gostei da Hanna.
Arqueei a sobrancelha, duvidando.
- Ela é bem bonita, exceto pelas... - Apontei para as sobrancelhas.
- Ela é bonita. Mas você é mais. - Ele disse. - Você é a pessoa mais bonita que eu já vi.
Sorri, mimada. Então mordi o lábio.
- E o que você mais gosta em mim?
- Tudo. Seu rosto, seu cabelo, seu corpo. Você é perfeita pra mim.
Ele me beijou de novo, suas mãos já em ação quando eu parei tudo.
- Sabe, a Hanna foi te visitar...
- Ela foi? - Ele ficou interessado.
- Foi - engoli em seco. - Eu não cheguei a falar com ela, mas... a Nicole e a Alison...
- O quê?
- Elas jogaram vinho nela - sorri. - Você tinha que ter visto.
- Eu queria ter visto - ele disse, sombrio.
Eu o beijei, sabendo que ele não gostava de pensar no tempo em que ficou de coma.
- Shay... O meu pai realmente foi me visitar? Durante... O coma?
Engoli em seco e neguei com a cabeça.
- Não que eu tenha visto... Ele pode ter ido e eu estado na escola.
- Você acha que isso aconteceu?
- Eu... Não devia me meter, Jake. Mas eu não acho.
Ele suspirou.
- Eu... Ele sempre tenta entrar na minha vida, fazer parte dela... E fez com que eu o odiasse mais quando ele falou de você.
- Não quero ficar entre você e seu pai, Jake.
- Bem, você já está bem a frente dele. Porque eu amo você como eu nunca amei ninguém.
Deitei por cima dele, o lençol fino sendo a única coisa que separava nossos corpos.
- Eu também te amo. E nesses três meses eu não consegui parar de pensar em você. Nem um só segundo!
Ele me beijou de novo, com as mãos em minhas costas, levantando.
PARTES INAPROPRIADAS PARA JERRYS. Ele ficou sentado, comigo em seu colo, o lençol separando nossas partes
íntimas de se tocarem. Ele passou os lábios no meu pescoço e seu telefone tocou.
- Ah. - Disse, meio gemido, meio ofegando.
Eu peguei o seu celular, saindo do colo dele e me enrolando com os lençóis. Passei o celular para ele.
- Alô?
Fiquei olhando para o teto, segurando o lençol sobre os seios até que ele falou o nome
dela.
- Hanna? O que você quer?
Me sentei ereta, tentando ouvir a conversa mas ele se afastou discretamente.
- Sim, eu estou bem - disse e depois bufou. - Eu também tô com ela.
- Deixa eu ouvir! - Pedi.
- Eu não tenho nada pra falar com você, Hanna. E não me chama de Jay.
Eu dei um sorrisinho, mas continuei tentando ouvir. Ele não deixava.
- O quê? - Ele gritou sussurrando
isso é possível? - Hanna, eu...
Ele olhou pra mim e então desligou sem falar mais nada.
- Então?
- Nada demais... Ela só enche o saco.
- E por que desligou na cara dela?
- Porque ela disse que queria me encontrar.
Arqueei a sobrancelha.
- Ela é bem oferecida, não?
Ele bufou, concordando.
- Todo mundo acha que eu gosto das oferecidas, que dão pra todos. Mas elas só são boas pra isso. Todos os garotos querem pra eles uma pessoa... difícil.
Sorri.
- Eu acho que fui bem difícil - balancei a cabeça. - Na verdade, fui até dura demais com você.
- Eu bem sei. Tive que correr atrás de você.
- E valeu a pena?
- Mais do que isso - ele sorriu e me beijou.
O telefone dele tocou de novo e realmente estragou o clima.
- Desculpe... E-Eu posso desligar - ele disse.
- Acho que a gente devia dormir. - Falei, pegando a camisa dele, que era meu pijama.
- Você sabe que essa camisa é minha, não sabe?
- Assim como você sabe que não vai ter ela de volta - sorri e o beijei.
Eu deitei na cama e ele se abraçou comigo. Dormimos de conchinha.
ALISON
Ela estava sentada em um bar fora da escola. Não estava bebendo, só refrigerante. Queria um lugar para pensar.
- Quem é vivo sempre aparece - alguém disse, sentando-se ao seu lado.
Ela olhou pelo canto de olho o que fez seu coração acelerar. O Enrique estava sorrindo e com uma roupa que o deixava ainda mais gostoso.
- Oi - ela disse.
- Toda vez que você me vê, você é fria.
- Eu não sou fria - sorriu.
Ele pediu vodka para beber e o garçom trouxe em segundos.
- Eles nunca pedem minha identidade. Pareço ser mais velho do que realmente sou. - Bebeu um gole. - Me acompanha?
- Ah... Não... Eu não bebo.
- Eu acho que bebe. Você bebeu no baile de máscaras.
- Como sabe que era eu?
- Eu a vi com o vestido. E você bebeu bastante.
Ela pensou sobre aquilo. Se já estivesse grávida, quer dizer que poderia ter perdido o filho. Então, possivelmente, teria engravidado só depois e...
- Alison?
- Oi.
- O que você tá fazendo aqui?
- Ah! E-Eu estava... Só pensando.
- Em um bar? Para não beber?
- É - deu de ombros. - Minha vida tá um lixo ultimamente.
- Sou um bom ouvinte.
Ela o fitou.
- Não vou desabafar com você. Mal te conheço!
- Sou o irmão da sua melhor amiga. Não me dá um passe vip?
Ela arqueou a sobrancelha.
- Nem que fosse meu irmão.
- Eu não gostaria de ser seu irmão. Sério - ele disse.
- Por quê?
- Você é muito bonita só pra isso. Pelo menos eu e a Shay não nos dávamos bem, isso a deixava menos sexy.
- E eu sou sexy?
- Muito - disse, bebendo mais da vodka.
- Eu acho que você não devia beber tanto. As bebidas fazem o maior estrago.
- Eu vim pra pegar alguém. Se eu estiver bêbado é mais fácil. Sempre tem as feias.
- Mas as bonitas nem olham pra você.
- Então quer dizer que nem tenho chance com você? - Sussurrou no seu ouvido.
- Mínimas.
- Mas tenho algumas. Sabe, eu faço o impossível acontecer.
Ela sorriu.
- Eu não vou dormir com você.
- Por quê?
- Porque eu não durmo com gente bêbada. A não ser que eu também esteja. E já que não estou bebendo...
- Eu não estou bêbado. - Bebeu outro gole. - Ainda.
Ela revirou os olhos.
- Eu ia encontrar o Chace... Mas ele não veio.
- Seu ex-ex-namorado?
- Isso... Ele está com outra agora.
- Quem é a vadia?
- Sua irmã.
- A Shay? Ela tá no hotel fodendo com seu namorado agora. Duvido que ligue pro Chace.
- Ela foi pro hotel ficar com o Jake?
- Aham. Sabe, eu não sei como eles não se enjoam.
- E você nem o conhece direito. Eles... São chicletes, os dois e não se enjoam - pensou. - Acho que isso se chama amor.
- Baby, hoje em dia nada mais é amor. Se trata de sexo.
- Eu discordo. Ah... O Jake era o maior pegador da escola, sério, ele comia todas. Já até transou com a Heather, que é amiga da Shay! Mas... Depois que ele ficou com ela,
ele realmente mudou. E devia ter virado exemplo para todos os garotos da escola, mas eles continuam seguindo o velho Jake.
- Ele se apaixonou.
- E ela conseguiu mudá-lo... Quase como domar a fera.
- Seria legal ser domado.
- Você é quase um Jake. Mas o Jake nunca dava em cima de meninas problemáticas. Só na Nicole.
- E quem disse que estou dando em cima de você?
- Porque você está sussurrando no meu ouvido.
- Amigos fazem isso.
- Eu sei. Mas você também olha de cinco em cinco segundos pro meu decote.
- Ei! O que é bonito tem que ser apreciado.
Ela revirou os olhos e se levantou.
- Eu já vou. E não foi um prazer encontrar você.
- Sabe, se um dia você realmente quiser conversar comigo, é só pedir e parar de me perseguir.
- Eu não sigo você!
- É o que parece - arqueou as sobrancelhas. - Boa noite, Ali.
- Boa noite, Enrique.
NICOLE
O quarto deles tinha vista para a praia de Malibu, que àquela hora estava vazia.
Ela estava olhando o mar, quando ele chegou por trás e botou a mão na sua cintura.
- E então?
- Isso foi muito romântico. Obrigada - sorriu.
- Eu mereço os parabéns.
Ela concordou, fazendo biquinho.
- Está tudo quase perfeito... Só não pelo motivo que só vamos ficar aqui durante um dia.
- Se quiser...
- Não! Não gaste mais do seu dinheiro. Se eu quiser... Eu compro para o sábado.
Ele a beijou docemente. Suas mãos da sua cintura, desceram pra sua bunda e ela o abraçou com as pernas.
- Eu... - Ela tentou falar, mas não conseguia formar palavras.
- Também - ele disse, deitando na cama.
Eles se deitaram, ela por baixo abraçando-o com as pernas. Seus lábios passaram por cada milímetro de seu pescoço, fazendo cócegas e deixando-a excitada. Ela arranhava suas costas
e dava alguns gritinhos baixos.
E fizeram amor.
DE NADA JERRY. YOU KNOW YOU LOVE ME, XOXO, GOSSIP GIRL
SHAY
Eu acordei com os lábios dele no meu pescoço.
- Bom dia - sorri.
- Bom dia - respondeu e me beijou, me envolvendo em seus braços.
Ele me abraçou e beijou minha testa. Estava usando uma calça de moletom e seu cabelo estava bagunçado. Resumindo: Estava lindo.
- Eu estou faminta - falei, me levantando. - Posso pedir alguma coisa pra comer?
- Na verdade, nós podemos descer e tomar café.
- Acho que isso é uma boa ideia. - Falei, deitando por cima dele. - Mas eu vou precisar de uma camisa emprestada.
- Por quê? Pensei que já estivesse satisfeita com três minhas.
Sorri.
- Eu só quero descer com algo confortável - falei.
- Sorte sua que pode descer com esse agasalho.
- Dos Lakers? - Perguntei.
Ele assentiu e sorriu.
- Você fica maravilhosa nele.
- Não, eu não fico - bufei e vesti minha calça jeans - mas é só para o café da manhã, certo?
- Depois a gente sobe de novo - sorriu.
Ele pegou a muleta para andar, e eu abri a porta. Dando de cara com o Justin.
- Shay? - Ele disse, me olhando, confuso.
- Oi - falei e dei um sorriso amarelo.
Nossa relação não era das melhores. E ele ainda odiava o Jake por ter quebrado a cara dele. Ele não gostava mais de mim, mas ainda tinha um sentimento ruim por ter
perdido a garota e apanhado. O Jake era indiferente, já que é bem mais fácil ser racional do lado vencedor.
A Nicole saiu do quarto e pegou a mão dele. Ao me ver, alternou o olhar entre seu namorado e eu.
Só então percebi como nossa relação era complicada. A Nicole era afim do Jake, que gostava de mim e eu gostava do Justin, que agora está com a Nicole mas tem raiva do
Jake que está comigo. E eu e a Nicole éramos amigas!
- Oi, Shay. - Ela disse e olhou para o Jake, engolindo em seco. - Jake.
- Oi Nicole - ele disse.
Foi meio constrangedor, já que o Justin olhava pra nós com raiva. A Nicole tentou ser simpática, mas também não tinha funcionado.
- N-Nós vamos descer - ela disse. - Para o café da manhã.
- Nós também - o Jake respondeu, apertando minha mão.
Os dois caminharam e ele apertou no botão do elevador. Eu e o Jake não poderíamos descer pela escada, já que ele estava com a perna quebrada, então tudo ficava cada vez
mais constrangedor.
Ao chegar ao restaurante onde serviam o café da manhã, estava lotado.
- Talvez nós devêssemos pedir no quarto. - Ele falou no meu ouvido.
Só havia uma mesa disponível, ela com quatro cadeiras. Uma mulher que trabalhava no hotel perguntou:
- Estão juntos?
- Não - o Justin e o Jake disseram em uníssono.
- Bem, então dois de vocês terão que esperar.
Revirei os olhos.
- Bem, eu não vou, porque eu tô morta de fome. Vem, Nick?
Ela olhou para o Justin em dúvida mas me seguiu.
[...]
O café da manhã estava incrivelmente... Silencioso.
O Jake e o Justin pareciam competir em um combate só com olhares cheios de raiva e rancor. De vez em quando, a Nicole falava algo, mas não passava disso.
- Você vai voltar pra escola quando? - Ela perguntou para o Jake, mesmo evitando olhares.
Ela claramente ainda tinha algum receio por ele tê-la pressionado tanto. Devia ser estranho ficar de frente pra ele e tentar soar normal.
- Na segunda - ele respondeu, seco.
Ela deu um sorriso amarelo. Eu revirei os olhos.
- Isso aqui está ridículo. Vocês dois não podem continuar se odiando assim!
- Eu concordo - a Nicole disse. - Isso é passado. Não é?
- Pra mim não, já que a Shay é minha namorada.
A Nicole continuou olhando pro Justin, esperando que ele se manifestasse. Dissesse qualquer coisa.
- Você ainda gosta dela? - Ela perguntou, os olhos enchendo de água.
O Justin olhou para o lado e antes que pudesse falar a Nicole se levantou.
- Muito obrigada, Shay! Você só arruina minha vida! Primeiro roubou o Jake e agora o Justin de mim! Por que não consegue ficar satisfeita?
O murmurinho foi cessando e olhavam diretamente para mim. Até um casal de italianos que não falavam nossa língua, nos olhavam com expectativa.
- Eu nunca roubei você dela - sussurrei. - Por que você não disse que gosta dela, Justin?
Ele ficou calado.
- Você não gosta?
- É claro que eu gosto, Shay! Mas... Eu amo a Nicole, como nunca amei ninguém, mas eu não consegui te esquecer.
- O quê? - O Jake perguntou.
- Você só quer fazer ela sofrer?
- Não! - Revirou os olhos. - Eu amo a Nicole, já disse! Mas é difícil te ver com... Com ele. - Apontou com o queixo para o Jake.
Engoli em seco.
- A Nicole é minha amiga, Justin. Se você fizer ela sofrer, eu juro, eu juro que acabo com a sua vida.
- Eu ajudo - o Jake disse, ao longe.
- Eu amo ela, Shay. Mas eu não quero te ver com ele. É difícil. Não quero mais você, só... Não quero vê-la sofrer.
- Eu?
- Você já foi magoada por ele várias vezes, Shay. Não quero ver isso de novo.
- Ela não vai ser magoada, Justin. Eu a amo - o Jake disse.
- Isso não impediu você de beijar a... Aquela garota.
- Como sabe da Hanna?
- Nicole - suspirei. - Justin, eu agradeço mas... Eu sei me cuidar.
Ele se levantou e olhou para os lados.
- Só não diga que não avisei - e foi até o elevador.
Suspirei e fiquei olhando para a minha comida intocada.
- Você quer subir? - Ele perguntou, assim que o Justin entrou no elevador.
- Claro - dei um sorriso amarelo, olhando para minha comida intocada.
NICOLE
- Por que você disse que gostava de mim, então? - Ela perguntou, assim que ele entrou no quarto.
- Porque eu gosto! Nunca mentiria pra você.
- Mas mentiu, me enganou!
- Eu não gosto mais da Shay, Nicole. E-Eu só tenho medo por ela.
- Medo?
- O Jake magoou você, demais, eu vejo nos seus olhos que ainda está magoada. E... Ele já magoou a Shay uma vez e ela... Eu tenho um carinho por ela.
- Carinho? É melhor achar uma desculpa melhor.
- Eu juro! Eu nunca a trocaria por você.
Ele passou o dedão no seu rosto e ela não pôde deixar de incliná-lo.
- Ele me magoou mesmo. Muito. Ele... Nós nos envolvemos no verão e quando voltamos pra escola, ele simplesmente me trocou por ela - lágrimas vieram ao seus olhos - e...
E mesmo assim me pressionava pra fazer uma coisa que eu não queria.
- Eu bem sei como é.
- Não sabe. Porque com as mulheres é sempre pior, nós nos magoamos mais facilmente.
Ele suspirou.
- Você sabe que nunca quis magoá-la.
- Talvez eu... Eu ainda me sinta ameaçada por ela.
- Olha... A Shay é linda, mas você é mais. Bem mais. Pra mim, você é a minha linda, minha princesa, minha rainha. Você é minha. E isso é o que importa.
Ele a beijou com romantismo, os seus dedos abrindo caminhos pelo seu cabelo. Continuaram a se beijar por vários minutos.
ALISON
Ela tinha batido na porta dele três vezes, mas ninguém atendia. Na última vez, bateu com mais força e a porta se abriu.
Hesitou em entrar, mas já que ele não iria para o teste, então seria melhor pegar qualquer coisa que ele pudesse ter tocado. Ou um fio de cabelo, pedaço de unha... Coisas assim.
Procurou na cozinha e na sala, indo por último no quarto, já que este lugar a trazia lembranças. Quando finalmente encontrou uma camisa suada, botou na bolsa e se virou.
- Posso saber o que está fazendo aqui? - Ele perguntou.
- Eu... - Tentou pensar em alguma coisa, mas não conseguiu. - Ahn...
- Você...?
- Eu estava te procurando... - Ela disse. - Para falar sobre aquele assunto.
- Não tenho assunto nenhum pra falar.
- Você tem sim! Para de se esquivar como se fosse um garotinho! Ser maduro... Você era! Eu admirava isso em você, mas agora? Se comporta como um garotinho.
- Tá me chamando de imaturo?
- Estou! Você acha que eu estou feliz com isso? Que quero ser mãe? Eu não estou! Eu apenas enfrento tudo isso porque eu tenho que pagar pelo que fiz!
- Eu posso ser preso, Alison! Tudo porque me deixei envolver...
- Porque você se apaixonou! E você sabe disso!
Ele semicerrou os olhos.
- Mas eu usei camisinha.
- Ela pode ter furado! Você acha que eu quero dar o golpe do baú?
Ele suspirou.
- Pra quê? Minha família é rica! Não preciso do seu dinheiro!
- Por favor, cala a boca e saia daqui!
- Vem me calar! - Gritou.
E ele a beijou. E depois a empurrou.
- Você que me beijou! - Ela disse.
- E-Eu sei... E-Eu... Sai daqui.
- Não! Você me beija e depois simplesmente manda eu sair?
- Porque eu beijei por impulso!
- Não importa! Você me deve isso, Ian. - Disse, seca. - E... Se esse filho for seu, você vai assumir.
- Se for. Mas se não...
- Eu não tenho que contar com você - revirou os olhos - eu sei.
Ela saiu do apartamento dele, olhando para os lados.
SHAY
- Eu acho que nunca estive em um café tão estranho - falei, ao chegar no quarto.
Ele continuava calado.
- O que foi? - Perguntei, me sentando na cama. - Ciúmes do Justin?
Ele sorriu.
Acostumem-se, vai ter MUITOS gifs do meu bebê aqui. E de alguns outros.
- Se fosse pra ter ciúme de alguém, com certeza não seria o Justin.
AI JERRY. AI JERRY. DOEU. TOMA BELIEBERS
- Então o que foi?
- Você acha que eu posso te magoar?
Arqueei a sobrancelha.
- Bem... É claro. Porque quanto mais se ama, mais doloroso vai ser.
- Não, eu quero dizer... Você acha que eu realmente vou te magoar?
- Não! Se eu achasse isso, nunca teria começado com você. E todo mundo se magoa... A gente só tem que saber perdoar.
Ele tocou meu rosto.
- Se algum dia eu fizer isso... Eu vou ser a pessoa mais idiota do mundo. Porque te magoar... Te perder... É pior do que estar morto - respirou fundo - e eu acho que sei como é isso.
- Nunca mais diga isso.
- Por quê?
- Porque eu nunca mais quero ver você... Daquele jeito de novo. Nunca.
Ele me beijou de modo carinhoso, suas mãos na minha cintura.
- Você viu aquelas luzes brilhantes no fim do túnel quando estava daquele jeito?
- Eu não me lembro de nada daqueles dias. Eu só me lembro de uma coisa...
- O quê?
- De você. Devo ter sonhado, não sei. - Ele disse e beijou meu pescoço.
- Você disse meu nome três vezes. E uma delas eu estava com você... Foi logo depois.
- Eu queria me lembrar disso.
Entrelacei meus dedos nos seus.
- Não importa. O importante é o aqui e agora. E eu esperei por você, e esperaria durante anos se fosse preciso.
Ele deu um sorriso de lado.
- Eu te amo. - Falou e me beijou.
Não precisei responder para ele saber que eu também o amava. Mas era bom ouvir isso, não importava quantas vezes fosse. Soava do mesmo jeito emocionante e excitante da primeira.
SHAY
Eu estava indo com o Jake para o dormitório masculino, quando o Chace apareceu.
- Chace? O que você tá fazendo aqui?
- Eu moro aqui, Shay - ele disse, olhando para o Jake. - Jake.
- Eu vou subindo - o Jake sussurrou e me deu um selinho.
Me sentei ao lado do Chace.
- Você não foi com a Alison?
- Pra que? Eu sei que não é meu mesmo.
- Chace...
- Não é, Shay.
Revirei os olhos.
- Você está assustado... Acredite, eu entendo. Ter um bebê na adolescência é... A pior coisa do mundo, mas você tem que mostrar que é maduro... Que vai apoiá-la.
- Eu não posso! E-Ela me traiu, me deu e depois engravida.
- Ela não engravidou sozinha, Chace. - Perdi a paciência. - Precisou do seu sêmen para fecundar o óvulo dela.
Ele abaixou o tom de voz.
- Eu usei camisinha.
- Bem, eu e o Jake também usamos e eu também fiquei... - Não pronunciei a palavra. - Você tem que ir com ela.
- Shay... Eu creio que é bem mais difícil do que você e seu namorado.
- Não tem que ser!
- Tem que ser! Porque ele sabia que o filho era dele. Que a culpa era dele. Eu não sei! Ela... Ela ficou com um professor, Shay.
- Eu sei, mas... - Sorri. - A Ali é meio... impulsiva.
- Isso não tem nada a ver com impulso. Ela dormiu com ele.
- Mas também dormiu com você.
Ele revirou os olhos.
- Olha, eu não tô fazendo isso só pela Ali... Mas eu gosto de você, Chace. E não quero ver nenhum dos dois sofrerem.
- Tarde demais.
- Mostra que é diferente, Chace. Mostre... Que ela errou ao trocar você por outro.
Me levantei, mas antes que fosse embora botei minha mão sobre a dele.
- Uma vez eu te disse que qualquer garota teria sorte em namorar você. E apesar do que aconteceu depois... - Suspirei. - Eu realmente falei sério. Você é um ótimo garoto, Chace.
Não esperei que me respondesse e subi para o quarto do Jake. Realmente esperava que ele seguisse meu conselho.
ALISON
Ela estava sentada na sala de espera, batendo os pés no chão e mordendo o lábio - que já devia estar sangrando.
- Alison Montgomery? - Uma secretária falou. - Pode ir, querida. Sala doze.
- Obrigada - ela disse.
Ela esperou mais dois minutos antes de ir. Esperava que algum deles aparecesse para dar o devido apoio à ela, mas nenhum dos dois apareceu na porta. Ela suspirou e começou a andar
quando sentiu uma mão em seu ombro.
- Você... - Parou de falar ao vê-lo - Enrique?
- Oi, Alison - ele sorriu. - Surpreso em me ver?
- Sim... Totalmente! O que faz aqui?
- A Shay me mandou.
Ela arqueou a sobrancelha.
- O.k., ela não me mandou. Mas eu quis vir te acompanhar.
- Você sabe...
- Uma garota de dezoito anos não beber? Você se entregou.
- Obrigada por vir até aqui mas... Não acho que possa ajudar.
- Posso... Acompanhá-la apenas.
- Sabe, esse seu sotaque é bem fofo. - Sorriu. - Mas não. Eu gostaria que o... Chace ou o Ian estivessem aqui.
- Eles são dois idiotas. Nunca largaria uma garota como você à própria sorte.
- Senhorita Montgomery? Sala doze, por favor.
- Ah... É claro. Desculpe - ela disse. - Eu... Preciso ir.
- Vou te esperar - deu um sorriso de lado. - Boa sorte.
Ela caminhou até a sala com um sorriso no rosto, apesar do nervosismo. Pelo menos alguém a esperaria.
[...]
A médica era uma mulher gorda com bochechas enormes e vermelhas. Usava óculos e sorria docilmente.
- Boa tarde, querida. Seria a Alison Montgomery?
- Sim. - Disse, se sentando.
A mulher olhou para ela e franziu o cenho.
- Só você?
- Sim... Você acha que vai poder fazer? Digo... Eu trouxe uma coisa que acredito ter DNA de um dos possíveis pais mas do outro...
- Não, querida. Me desculpe. Deseja ligar para ele?
Alguém abriu a porta atrás dela e a mulher olhou, confusa.
- Eu cheguei. Me desculpe o atraso - o Chace disse, sentando-se ao lado dela.
- Você veio. - Ela disse, emocionada.
- É claro. Mas você sabe... Não por você, mas por essa... criança que pode ser minha.
- Sim, vocês devem assinar aqui. - Ela disse, indicando. - E quanto ao outro pai?
- Ele não pôde vir - mentiu - eu, ahn... Tenho essa camisa bem suada e nojenta dele. Serve?
- Bem, serve, mas demorará mais para o resultado ser entregue.
- Quanto tempo?
- De três à sete semanas.
Ela engoliu em seco.
- Praticamente dois meses.
- Bem, esse é o tempo máximo... Mas é claro que pode ser entregue antes.
- Tudo bem - disse e olhou para o Chace. - Vamos?
A médica se levantou e foi com eles para outra sala. No caminho, sussurrou ao Chace.
- Obrigada.
- Como eu disse, é tudo pela criança.
Ele não a olhava nos olhos, nem mesmo quando a mulher tirou seu sangue e o sangue dela.
EU NÃO SEI COMO SE FAZ UM TESTE DE DNA. ENTÃO SERÁ FEITO DESTE JEITO. E pegou
a camisa do Ian.
- Bem, senhorita Montgomery e senhor...
- Crawford
FALTA DE CRIATIVIDADE MODE ON
- Nós ligaremos assim que o teste tiver sido feito.
Ela engoliu em seco e tentou falar com ele, mas não conseguiu. Saiu com o Enrique, mas também não conseguiu se distrair.
CHAPTER TWENTY-THREE
- Pelo que me lembrava, o quarto parecia maior - o Jake disse, chegando no seu velho quarto.
- Comparado ao quarto do hotel, é menor - sorri.
Deu de ombros e arqueou a sobrancelha.
- Mas eu tenho boas lembranças daqui.
Dei uma risada um tanto quanto boba e botei meus braços ao redor do seu pescoço.
- Como está a sua perna?
- Vou tirar daqui a uma semana. O que é bom, porque eu sinto falta do beisebol. E futebol.
- Bom lembrar disso porque eu quero que você conheça alguém.
- Quem? - Arqueou a sobrancelha.
- Meu irmão.
- Você tem irmão? Desde quando? - Perguntou, surpreso.
- Ele é meu meio irmão... E eu não falei dele porque nós nos odiávamos.
- E por que resolveu falar agora?
- Porque ele também adora futebol...
- Americano?
- Não... Aquele outro, o brasileiro, italiano - revirei os olhos - mas ele gosta de beisebol. Talvez vocês possam se dar bem.
Sorri.
- E qual o nome dele?
- Enrique. - Franzi o cenho. - Eu... Ele realmente me ajudou quando você estava... Ausente.
Ele me beijou e me fez sorrir entre o beijo.
- Eu posso... Conhecê-lo.
- Ótimo. - Sorri, beijando-o mais uma vez.
Quando deitei por cima dele, na cama e botei o cabelo para cima da minha costa.
- Posso te perguntar uma coisa? - Ele falou, com a voz rouca.
Assenti.
- O que você diria se... Se eu encontrasse com a... Hanna?
Engoli em seco e saí de cima dele, me sentando.
- Ela ligou pra você? De novo?
- Ligou. Ela... Pediu que eu me encontrasse com ela.
- E você vai?
- Eu não respondi porque... Porque ela pediu que eu não te contasse.
- E então por que me contou?
- Porque eu não iria esconder isso de você... Você não gosta nem um pouco dela.
- Não gosto mesmo. E-Ela... Ela tentou fazer com que eu terminasse com você. Ela fez a gente brigar. E... Então o acidente aconteceu.
- Ela quer pedir desculpas.
- Que peça para mim também! E-Eu... Eu também sofri!
Ele segurou meu rosto com as duas mãos, fazendo com que eu olhasse em seus olhos.
- Basta dizer que não. Se você não quiser que eu vá, então não vou.
- Eu não quero que vá - fiz um meio biquinho.
Ele me beijou, docemente e subiu os lábios até o meu ouvido, que me fez cócegas.
- Eu já disse... A Hanna não é ameaça pra você. Nunca foi e nunca será.
Sorri enquanto ele encostava seus lábios novamente nos meus.
ALISON
- Alison? - O Enrique perguntou pela terceira vez.
- Desculpe... O quê?
- Eu perguntei se você está se sentindo bem. Afinal, isso tá acabando.
- Isso é apenas o começo, Enrique - suspirou. - Vai ficar pior.
- Mas se souber quem é o pai...
- Ainda tenho que contar para os meus pais. E... Nossa! Meu pai vai me trucidar.
Ele deu um sorriso, dirigindo.
- Você tem certeza de que quer voltar para a escola? Podemos ir para qualquer outro lugar.
- Que lugar?
Ele deu de ombros.
- Obrigada... Mas eu acho que devo ir pra escola e aliás, obrigada pela carona.
- De nada. - Disse, chegando perto do internato.
Ele parou o carro no estacionamento e me olhou.
- O que foi? - Ela deu um sorriso, nervosa.
- Alison, eu tô aqui pro que você precisar. De verdade.
Ela lambeu os lábios.
- Por quê? Quero dizer... A gente mal se conhece e...
- Não sei - franziu o cenho. - Mas podemos dizer que tenho uma certa afeição por você.
- Afeição? Isso é coisa de... Século passado.
- E como devo dizer?
Ela engoliu em seco.
- E... E você fez tudo isso por que simplesmente seu santo bateu com o meu?
- É.
Ela olhou dentro dos olhos deles e por instantes, esqueceu todos os seus problemas.
- Enrique, você gosta de mim?
- Não... Eu não! É claro que... - Ele a olhou por alguns segundos. - É claro que sim.
Ela arqueou as sobrancelhas.
- Que sim? Mesmo eu... Estando grávida?
- Talvez seja isso que me atraiu. Você não é o tipo de garotas que eu... Fico.
- Quem diria que você gosta desse tipo de garotas? - Ela sorriu. - Mas... Obrigada. Isso é... Muito...
- Você não quer um namorado agora.
- Eu não disse isso. Eu também gosto de você, Enrique. Mas é bem mais complicado que isso. E-Eu estou grávida, de outra pessoa.
- E você gosta dessa pessoa.
- Não... Eu não gosto mais. Bem, eu me machuquei. Muito. E consegui me recuperar. E eu também gosto muito de você...
- E então?
- Você decide. Você vai ser chamado de corno, de tudo! Vão dizer que é idiota por estar... por estar com uma garota grávida de outra pessoa.
- Eu não me importo. - Ele disse, chegando perto dela.
Ela iria falar mais uma coisa, só que era tarde demais. Ele a beijou docemente, botando a mão no pescoço dela e tentando aproximar os corpos o máximo possível que se pode
em um carro. Seu beijo era lento e quente ao mesmo tempo e a fazia querer cada vez mais e mais.
SHAY
Eu estava no meu quarto quando bateram na porta, com força.
- Quase quebra, não? - Falei para o Chace, revirando os olhos.
- Eu fui... Com a Alison - ele disse, sentando na cadeira em frente ao meu notebook.
- Que bom - franzi o cenho - e veio aqui por...?
- Você me fez ir até lá, pensei que se importasse.
- Eu me importo... Mas você não tem porquê de estar aqui. Agora.
- O Jake está vindo?
- N-Não... Ele não pode andar muito esses dias.
- Então posso ficar aqui?
- Ah... - Cocei a cabeça. - Eu ia dormir.
- As cinco da tarde?
- Hoje é segunda feira... E eu não dormi muito no fim de semana.
- Mas o que se faz no fim de semana? Além de dormir?
- Eu fiquei com o Jake... No hotel.
- Fazendo o que... - Ele disse e fechou a boca.
Engoli em seco.
- Isso - falei, constrangida. - E... Eu fico feliz que tenha se acertado com a Ali mas...
- Eu não me acertei com ela.
- Mas você disse...
- Eu disse que tinha ido fazer o teste, mas não que tinha voltado com ela.
- Você não voltou?
Ele balançou a cabeça, negando.
- Bem... É uma pena. - Falei. - Mas agora eu realmente preciso descansar.
- Tudo bem - levantou-se - ei, Shay.
- Sim?
- O Enrique tem alguma coisa com ela? Porque ele estava esperando do lado de fora.
- Ah... Não que eu saiba - franzi o cenho - mas o aviso se alguma coisa aparecer.
Tranquei a porta assim que ele saiu. Peguei o agasalho do Jake - tinha virado meu pijama, desde o coma porque eu vestia para me sentir mais perto dele - e deitei na cama.
Dormi em minutos.
JAKE
O JAKE É MEU PERSONAGEM FAVORITO E POR ISSO MERECE UM "SUBCAPITULO" NARRADO POR ELE.
Já era a quinta vez que a Hanna ligava. Em meia hora.
Eu tive que desligar o celular enquanto eu e a Shay estava aqui, para que não atrapalhasse. Mas desde que tinha ligado o Iphone, ela estava sendo um pé no saco.
- Alô. - Disse, o mais seco possível.
- Finalmente você atendeu - ela bufou - como tá?
- O que você quer, Hanna?
- Queria saber como você estava! E-Eu fui até o hospital mas a Shay....
- Ela não deixou você entrar? Ainda bem, não?
- Jake... Por que você tá assim comigo?
- Acho que você pediu por isso, né Hanna? Você fez com que a Shay...
- Para de pronunciar o nome dela! Jay, eu te conheço a bem mais tempo que essa...
- Essa é minha namorada. E eu a amo.
Ela ficou calada por um bom tempo, só ouvia-se sua respiração.
- Você não ama ela, Jay.
- Como pode ter certeza?
- Porque você não teria me beijado.
- Eu não beijei, Hanna.
- Você beijou sim! Não se lembra? Nós dois estávamos no rio e... Eu não contei pra ela porque poderia ter sido pior.
- Hanna... Eu sei que não fiz isso.
- Você fez! - Ela quase gritou.
Bufou. Ela estava tentando confundir a minha cabeça.
- E por que você só me atendeu agora? Estou te ligando há horas!
- Eu estava ocupado.
- Fazendo o quê?
- Não é da sua conta, Hanna.
- Jay... Eu sinto sua falta. Eu queria ver você.
- Hanna, mas eu...
- Por favor! Eu juro que não vou fazer nada demais... Eu só quero saber que você está bem.
Suspirei.
- Quando? E onde?
- Em qualquer lugar! E... Você ainda está aleijado?
- Sim, ainda tô de gesso.
- Então, quando você tirar... Logo depois!
- Provavelmente eu sairei com a Shay.
- Ela pode ir. Eu quero demonstrar que só quero que seja feliz.
Franzi o cenho.
- Tchau, Hanna.
- Tchau, Jay. Eu...
Desliguei o telefone antes que ouvisse alguma coisa mais intrigante.
SHAY
Bateram na minha porta algumas horas depois. Eu bufei e virei para o outro lado, mas continuaram a bater.
- Shay! - Gritaram. - Abre, por favor!
Levantei, com o cabelo bagunçado e olhos quase fechando. A Alison entrou e me abraçou.
- Obrigada, Shay! De verdade - sorriu.
- De nada - falei, sonolenta - agora pode ir?
- Não quer saber porque estou agradecendo?
- Eu... - Bocejei. - Eu estou morta de sono, Ali. Depois, pode ser?
- Desculpe - ela disse e seu rosto mudou. - E-Eu...
Ela botou a mão na boca e vomitou. Em cima do meu All Star. E depois correu para o banheiro.
- Ai! Que nojo1! - Gritei, jogando todas as garrafas de água que tinha em cima do vômito e tapando o nariz. - Porra, Alison!
- Desculpe! - Ela disse, aparecendo na porta do banheiro. - E-Eu... Não dá para controlar... Me desculpe!
- Como é que eu vou dormir nisso? Parece uma... Uma... - Fiz cara de nojo.
- Desculpe, tá legal? E-Eu peço para limparem isso...
- Acontece que são dez horas da noite! Todas as faxineiras já estão nos seus devidos quartos!
- Então... Você pode dormir no meu quarto! - Ela disse, culpada.
- E se você ficar enjoada outra vez? - Cruzei os braços.
- Eu corro para o banheiro.
Suspirei.
- Eu iria para o quarto do Jake, mas acho que ele já está dormindo.
- São dez horas! Acho que não! - Ela sorriu. - Por favor, vá para lá... Eu peço amanhã de manhã para limparem aqui.
- E-Eu... Tudo bem - disse. - Mas... Só nunca mais faça isso de novo, tá? Isso é nojento.
- Foi... Me desculpe - suspirou. - Estragou o clima, não?
- O que você ia me contar, Ali? - Perguntei, pegando algumas roupas para vestir de manhã.
- Eu e o Enrique estamos juntos.
Olhei para ela, boquiaberta.
- Namorando?
- Mais ou menos... Quer dizer, nós nos beijamos e tal, mas sem nenhuma formalidade.
- Uau... Isso é...
- E ele não se importou com... - Ela olhou para o vômito e botou a mão na barriga. - Obrigada por me fazer conhecê-lo, Shay.
- Eu... De nada, eu acho.
Ela sorriu.
- Sério... Isso foi muito importante pra mim. E-Ele é incrível, Shay!
- Vocês começaram a namorar agora, certo? Como pode saber se ele realmente é incrível?
- Porque... O que ele fez por mim foi maravilhoso, S. Ele me ajudou quando todo mundo virou as costas.
Sorri.
- Eu fico feliz por você, Ali.
- Vê como isso é bom? Todas nós estamos namorando, felizes! Isso é...
- Ótimo. Não tem nenhum tipo de competição entre nós, certo? Eu tenho o Jake, você tem o Enrique...
- Bem, ao menos eu sei que você não vai ficar com o Enrique, né?
- Alison... Eu não tenho nada com o Chace.
- Mas vocês ficaram... E isso é meio difícil de aceitar quando vocês ficam saindo juntos!
- Como amigos!
- Sério? Amigos? Amigos não vão ao cinema sozinhos! Sabe por quê? Porque quando vão, querem algo a mais. Ninguém vai precisar saber, tudo ficará lá.
- Alison, você está me chamando de falsa? De vadia? Eu amo o Jake e esses três meses eu esperei por ele!
- Sério? Ficando no quarto do Chace até altas horas...
- Eu dormia no quarto dele, mas apenas isso. Eu nunca sequer flertei com ele!
Ela piscou e respirou fundo.
- Eu... Eu não tenho nada a ver com isso. Isso é entre você e o Chace.
Eu ia falar mais alguma coisa, mas o Jake apareceu na porta e claramente tinha ouvido tudo. Que droga! Ele adorava aparecer nas horas mais inconvenientes possível.
- Oi amor - falei e dei um sorriso de culpada - eu ia pro seu quarto, na verdade. A Alison estragou o meu.
- Posso ver - ele arqueou as sobrancelhas e as abaixou rapidamente.
- Me desculpe - a Alison disse. - Mas eu meio que fiz um favor, não? Agora vocês podem ficar juntos.
Eu revirei os olhos mentalmente. O Jake deu um sorriso torto.
- Boa noite - a Alison disse, saindo.
Eu olhei para o Jake e botei o cabelo para trás da orelha.
- Posso?
- O quê?
- Dormir com você? Por favor... Não me faça dormir nesse aterro sanitário - botei minhas mãos nos seus ombros e fiz um meio biquinho.
- É claro - ele disse, mas nem sequer botou as mãos na minha cintura.
Bufei.
- Lá vem você de novo... - Revirei os olhos e olhei para seus pés - E você... Tá sem o gesso.
- Ele quebrou - disse, seco.
- E você não acha que devia ir ao médico?
- Não... Eu consigo andar bem - pegou minha mão. - Vamos?
- Ah... Não, eu preciso no mínimo vestir uma calça.
Ele olhou para as minhas pernas.
- Assim você está ótima. Vamos.
- O que foi, Jake?
- Nada.
Arqueei a sobrancelha.
- Você ouviu a Ali, não? E-Ela... Ela tem ciúmes dos Chace, Jake. Porque a gente se aproximou bastante desde... O acidente. Só isso.
- Eu não tenho nada a ver com isso, Shay. Eu não estava aqui.
- Você estava comigo sim... Ou melhor, era como se estivesse.
Ele me deu um beijo na testa.
- Acho melhor você vestir a calça, então.
[...]
Ele estava meio frio comigo. Não que fosse grosso e tal, mas estava quieto demais.
- O que foi, Jake? De verdade?
- Shay...
- Eu sei que tem alguma coisa errada, eu sei. Só me diz qual a besteira dessa vez.
- Não tem besteira nenhuma, Shay - ele deu um sorriso amarelo.
Inclinei a cabeça para o lado.
- O que você ouviu, Jake? Realmente?
- Que você e o Chace dormiram juntos. Não é nada demais... Não a culpo. E-Eu... Eu não estava aqui.
- Eu e o Chace não dormimos juntos, Jake. Ou pelo menos, não desse jeito.
Ele arqueou a sobrancelha, confuso.
- Nós dormimos. Nós... Foi uma semana depois que saí do hospital. E...
INICIO DO FLASHBACK, BITCHES
- Shay, você tem que se animar - ele pediu. - Toma.
- Obrigada - disse, mas apenas segurei a lata de cerveja.
- Shay... Ele não vai querer você assim.
- Assim como?
- Triste, isolada, pensativa o tempo todo.
- Eu não estou assim!
- E eu sou um coala. Você sabe que está, Shay.
Engoli em seco.
- Chace, eu não quero ficar feliz porque eu não me sinto feliz!
- Shay, você é linda, inteligente... Você pode ter qualquer garoto que quiser.
- Acontece que eu não quero nenhum outro garoto! Eu quero ele. Eu quero o Jake. Cada segundo que passa sem ele... Faz com que eu queira morrer.
Ele botou meu cabelo para trás da orelha.
- Shay.... E se ele...
- Não fala! - Me levantei da cadeira, possessa. - Não ouse terminar essa frase, Chace!
- Mas, Shay...
- Ele vai sobreviver... Porque senão - respirei fundo - porque eu posso estar viva mas sem ele aqui... Eu me sinto morta por dentro.
Ele olhou para o lado.
- Shay, qual é, todo mundo sabe que namoro de escola não dura. Olha pra mim e pra Alison.
- Se você quiser que dure, não será a faculdade que vai acabar, Chace.
- As vezes, nós acabamos.
- Você ainda gosta da Alison, Chace?
- Gosto... É claro. Mas eu quero esquecê-la.
- E como pretende fazer isso?
- Arrumando uma pessoa... Uma pessoa tão boa quanto ela.
- Ninguém é tão bom quanto a pessoa que se ama, Chace. Eu aprendi isso.
- Mas eu acho que tem alguém perfeita pra isso.
- E você vai usá-la? Isso também tá errado.
- Eu... Eu vou tentar fazê-la feliz e eu já gosto de estar com ela. É um começo.
Meu celular vibrou, com uma mensagem da mãe do Jake. Ela dizia que ele tinha falado meu nome de novo.
- O que foi?
- Ele falou meu nome - mordi o lábio - de novo.
- Sabe, Shay, eu vou dormir.
- Tudo bem... E-Eu vou pro meu quarto.
- Já deram o toque de recolher.
- Não é a primeira vez que quebro as regras da hora de recolher, Chace.
- Você... Pode dormir aqui.
- Chace...
- Só dormir. Eu prometo - ele disse, afastando-se para que eu deitasse na cama.
FIM DO FLASHBACK
- Foi isso. Considera uma traição?
Ele deu um sorriso aliviado.
- Eu queria dizer que não, mas... É claro.
- Eu nunca ficaria com ninguém, Jake. Muito menos com você daquele jeito.
Ele entrelaçou os dedos nos meus.
- E agora que não estou mais daquele jeito?
- O que quer dizer com isso? É claro que não!
- Nem mesmo com o Chace?
- Não! Por favor, Jake... O Chace tem a Ali e já tem outra em vista... Nós não combinamos, além disso.
- Sério? Shay, você não percebeu?
- Percebi o que?
- O Chace estava falando de você. Ele quer ficar com você, Shay.
- O que? - Bufei. - Não mesmo!
- Shay...
- Ele gosta da Alison, Jake. E... Duvido que vá botar essa ideia pra funcionar.
Ele olhou para o teto.
- Além disso, quem disse que eu quero ele? - Selinho. - Não quando eu tenho você.
- Mas...
- Sem mas, Jake - botei meu indicador na frente dos seus lábios - eu só amo você.
Ele me beijou, encostando seu corpo no meu. Eu me virei para ele, sorrindo.
- Mas eu vim pra cá para dormir. E é isso que vou fazer - me enrolei no cobertor e ele encostou mais nossos corpos.
- Boa noite - sussurrou, com os lábios no meu cabelo.
Sorri, com o rosto no travesseiro. Dormi em instantes.
ALISON
Ela até tentava dormir, mas estava ansiosa demais. Receberia o resultado em alguns dias e agora estava namorando com o Enrique. Talvez namorar não fosse o termo certo, afinal
eles apenas se beijaram, mas as declarações deixaram tudo mais claro. Ele gostava dela e ela gostava dele, o que podia haver de errado?
Se ela não estivesse grávida, se ainda fosse virgem... Teria sido melhor. Eles namorariam, se beijariam e tudo seria feito em seu devido tempo e não engravidaria e muito menos
ficaria em dúvida sobre a paternidade. A Shay também engravidou mas o Jake sabia que fora culpa dele. E iria assumir. Mas ela perdeu o filho e eles continuavam juntos. Enquanto
ela estava grávida, com dois "pais" cabeças duras que não queriam assumir. Pelo menos, o Enrique estaria com ela.
- Ei, Ali - alguém sussurrou, de trás da porta. - Abre aqui, por favor.
Ela se levantou, cautelosa e abriu a porta.
- Oi - o Enrique disse, sorrindo.
- O que tá fazendo aqui? - Ela tentou se esconder ao máximo, estava apenas de moletom velho.
- Eu estava sem sono - deu de ombros - tem problema?
Ela olhou para o relógio.
- Bem, tem dois. São três horas da manhã e eu posso vomitar em você... Como fiz no tênis da sua irmã.
Ele riu.
- Gostaria de ter visto isso.
- Ela foi dormir com o Jake. Mas duvido que eles realmente estejam dormindo - ela arqueou as sobrancelhas, sorrindo.
- Podíamos nos juntar a eles - Enrique disse, entrelaçando-os seus dedos nos dela.
Ele a beijou, com as mãos na sua cintura, ela retribuiu nos primeiros minutos mas depois se afastou.
- Não... Não acho que seja uma boa ideia, Enrique.
- Por quê?
- Por causa disso - ela levantou a blusa, mostrando a barriga um pouco maior que o normal. - Eu já tô com três meses.
- E por isso não pode transar?
- Não, não posso. E foi pra isso que veio aqui?
Ele balançou a cabeça.
- Me desculpe. De verdade... Mas é que quando eu tô em um relacionamento, sexo é uma coisa essencial... Mas eu mudo por você - ele a beijou.
- Não é que eu não queira... Eu só não me sinto pronta. Agora - engoliu em seco - a minha primeira vez... Foi cedo demais. Não estava preparada e... Agora deu nisso.
- Achei que ainda não soubesse quem é o pai.
- E não sei. Mas a segunda também não foi boa. Também foi cedo demais.
- Eu espero por você, baixinha - sorriu e encostou a testa na sua.
Ela sorriu.
- Eu nunca gostei de ser chamada de baixinha. Mas vindo de você soa muito bom.
Ele a abraçou e se deitaram na cama. Dormiram de conchinha.
SHAY
- Ei, Shay - o Chace disse, encostando-se no meu armário.
- Chace! - Falei, surpresa. - Que foi?
Talvez não devesse, mas me sentia estranha perto dele. Desde a conversa com o Jake.
- Tudo bem? Parece que faz dias que não falo com você.
- Eu ando ocupada.
- Com o Jake?
- É claro - assenti - ele é meu namorado.
- Eu sei - ele franziu o cenho. - Mas tenho certeza de que ele sabe se cuidar. Ao menos por uma noite.
- Como assim?
- Eu consegui trocar os ingressos para hoje. Não quer ir?
- O filme da Katy. - Sorri.
- Vai dizer não à senhora firework?
- Eu... Não sei, Chace.
- Vamos, Shay. Já tínhamos combinado isso e... Você furou. Você me deve uma.
Olhei para trás.
- Mas eu furei por um motivo nobre.
- Ah, é claro, o Jake mas agora ele já tá bem. Você consegue passar uma noite sem ele, né?
- Chace... Acho que você devia convidar outra pessoa.
- Por quê?
- Porque... Porque... Eu soube que... - Pensei em qualquer coisa. - A Nicole está caidinha por você.
- A Nicole?
- Isso. Ela está com o Justin mas a situação não anda bem - menti.
- Sério? Mas eles parecem tão...
- Mas não estão - interrompi. - Ele só não quer parecer mal depois de mim, sabe né?
- Mas você tem certeza? A Nicole nunca falou comigo direito.
- Porque estava nervosa! Se quiser posso chamá-la para você.
- Tudo bem, então... - Ele franziu o cenho. - Obrigado, eu ahn, acho.
Ele entrou na sala 215. A Nicole provavelmente me esganaria e o Justin dançaria no meu
caixão. Ela nem sequer achava o Chace bonito e agora que estava feliz com o Justin queria
que o mundo visse sua felicidade. E o Justin ainda me odiava portanto teria que fazer tudo
isso embaixo das cobertas. Mas era o único jeito do Jake tirar isso da cabeça, vendo o Chace
com alguma outra garota. E mesmo que ele soubesse que a Nick era do Justin, isso iria deixá-lo
menos enciumado. E vê-lo com ciúme em uma aula de karatê não era uma cena bonita... Tá, vê-lo
suado e com o corpo aparecendo era lindo, mas ele quase espancava os outros alunos. Eu tinha
que fazê-lo parar com isso e esse parecia ser o único jeito.
SHAY
- Você fez o quê? - Ela quase gritou, olhando a página inteira do caderno que a mandei na aula da Filosofia.
- Cala a boca, idiota! - Sussurrei. - Por favor, faz isso por mim!
- Shay... Eu não posso! O Justin e eu estamos juntos. Pra valer.
Revirei os olhos.
- Nicole, eu te peço. Só dessa vez... Você já gostou do Jake e deve saber como ele fica quando tá com ciúme.
Ela me olhou.
- Eu não sei, Shay. Porque ele nunca ficou com ciúmes de mim... Talvez porque ele estivesse ocupado demais pensando em você.
- Sinto muito, e-eu não quis dar isso a entender.
- Tudo bem - respirou fundo. - Eu... Não posso fazer isso, Shay.
Olhei para o professor escrevendo na lousa.
- Por favor, Nick. Eu falo com o Justin. Você só tem que ir com ele, apenas isso.
- E o que você vai fazer? Ficar com o Jake e eu tenho que ir com o Chace? Shay, eu nunca falei com ele direito!
- Nicole...
- Não! Não!
- Pensa que... Se fosse alguém correndo atrás de você... Eu faria isso.
- Não, não faria. Eu te conheço, Shay. E julgando o Jake, ele acabaria matando o cara.
- O que?
- O Justin quebrou o pulso, ficou com olho roxo e o orgulho ferido - ela franziu o cenho. - E venhamos e convenhamos, não sei porquê. O Justin é bem mais bonito que o Jake.
- E eu repito, o quê? - Falei, séria. - O.k., o Justin é bonito mas o Jake é... Cara, você já viu ele sem camisa? Ele é...
- Eu já vi, Shay. Creio que todo mundo nessa escola já.
- Então sabe que ele é bem mais que o Justin - revirei os olhos.
- Não vou discutir com você. A gente nunca concorda - deu de ombros.
- É claro, porque meu gosto é melhor que o seu.
- Você realmente quer a minha ajuda?
- Quero. Por favor, Nicole - falei, copiando da lousa. - Eu realmente preciso.
- Eu não sei, Shay. Preciso pensar.
O sinal tocou e todo mundo começou a arrumar a bolsa para sair da sala. Segui a Nicole até o seu armário, ainda implorando.
- Ah! Dava para você parar? Tá, eu vou! - Ela gritou.
- Sério? - Sorri e a abracei. - Obrigada, Nick. Eu totalmente te devo uma.
- Eu sei. E eu vou cobrar. E pra começar, você vai ter que falar com o Justin... Nós tínhamos planos para essa noite.
- Sério? Tipo o quê?
Ela sorriu, vermelha.
- Ora, você sabe. Você e o Jake não fazem planos pra isso?
- Não... Geralmente só acontece.
Ela fechou a porta do armário com força.
- Boa sorte pra falar com ele. E é pra contar a verdade.
- Ele ainda tem tanta raiva de mim assim?
- Ah, querida, ele não tem raiva de você. Ele tem praticamente ódio.
- Só por que eu fiquei com o Jake?
- Não, Shay. Ele já superou isso. Ele tem raiva porque você enganou ele e antes de tudo, vocês eram amigos. E você não contou a verdade.
- Sério?
- Aham. E o fato de você nunca o procurar para se desculpar só piora tudo. Caramba, você teve três meses pra se reaproximar dele!
Engoli em seco.
- Eu falo com ele... E também peço desculpas. Por tudo.
- Eu espero - ela disse. - Bem, parece que tenho que me arrumar pra esse encontro.
- Obrigada - gritei, enquanto ela se afastava.
- Pelo quê? - Jake perguntou, atrás de mim.
- Porque ela copiou meus exercícios de física - falei, botando as mãos no ombro dele.
- Você não tava em filosofia?
- Isso! - Falei, engolindo em seco. - Filosofia.
Ele franziu o cenho e eu o beijei.
Ele botou a sua mão na minha costa, praticamente na minha bunda.
DEPOIS VÊM GENTE FALAR DE JERRY. AFF, FAZ-ME RIR. ALWAYS CACIQUE <3 nada a ver, mas precisava falar isso
- Você não sabe mentir, Shay.
- Eu não estou mentindo.
Ele arqueou a sobrancelha.
- Eu pensei que você tivesse um jogo de beisebol agora.
- Eu tinha, mas resolvi faltar.
- Por quê?
- Porque eu soube que você tem planos para hoje a noite.
- Você estava escutando?
Ele sorriu, culpado. Por pouco seus dentes brancos não me cegaram.
- Eu tenho que pedir desculpas a ele, Jake. É o certo a fazer.
- Posso ao menos acompanhar?
- Não! Não preciso de babá - fiz biquinho e dei dois tapinhas de leve na sua bochecha.
Ele olhou para os lados e como corredor estava vazio me levantou do chão.
- Me solta, Jake - sorri.
- Não - me beijou, sorrindo entre o beijo. - Se vai ficar a noite com o Justin, tenho que deixar meu território marcado.
- E desde quando sou seu território?
- Desde o dia em que eu disse que te amo - sorriu.
Sorri entre o beijo dele, abraçando-o com as pernas.
- Mas realmente não dá pra fazer isso aqui - olhei para os lados - pode aparecer alguém a qualquer hora.
- Pra alguém que já fez em um jardim de buffet, isso não é nada demais.
- E se a diretora vier aqui?
- É pra isso que existem zeladores - ele arqueou a sobrancelha e as abaixou rapidamente, fazendo uma cara maliciosa.
NÃO POSSO EVITAR, EU AMO ARMÁRIO DE ZELADORES. MUITO OBRIGADA, M., ALI, SRA IGLESIAS/SOMERHALDER/CRAWFORD.
- Você é muito louco, Jake! - Falei. - E eu tenho que fazer outras coisas agora. E você não vai deixar seu time na mão.
- Eu já disse que...
- Larga tudo por minha causa - revirei os olhos. - Mas eu estou mandando o senhor ir jogar.
Ele me botou no chão.
- Eu devo me preocupar? Só porque está indo para o Justin...
Sorri.
- Você é a pessoa mais fofa do mundo com ciúme. Exceto quando parte pra violência - suspirei. - Eu vou falar com ele e não transar com ele, Jake.
- Mas...
- Mas nada. Eu não vou te trocar por nenhum outro garoto dessa escola porque nenhum deles chega aos seus pés.
- Digo o mesmo sobre você, mas nenhuma garota
do mundo chega aos seus pés.
- Você não vai me seduzir, Jake. - Falei, pegando minha bolsa do chão. - Até depois.
Dei um selinho e me afastei, rindo.
NICOLE
- Então... - Ele disse assim que o filme acabou.
Ela deu um sorriso amarelo.
- Quer comer alguma coisa?
- Tanto faz.
Ele andou até um Mc Donald's próximo e entrou. Ela teve que segui-lo já que estava de carona.
- Nicole, por que você gosta de mim? - Ele perguntou, assim que sentaram.
- Eu? - Ela franziu o cenho.
- Porque você e o Justin parecem ser felizes juntos.
- E somos.
- Então por que disse que gosta de mim?
- Eu disse? Quando?
PARABÉNS, JERRY. LERDA ATÉ EM HISTÓRIAS. LOVE YA <3
- Para a Shay... Ela me disse que você...
- Ah... Ah! É mesmo... Eu disse isso - franziu o cenho, nada convincente.
- Você não disse, certo?
- Chace, você é um cara legal mas... Não faz o meu tipo, sério.
- Não, eu não estou chateado. Não com você.
- Está com a Shay?
Ele olhou-a, com os olhos semicerrados.
- Por que ela faria isso?
- Não sei. - Deu de ombros.
- Eu acho que você sabe, Nicole.
Suspirou e pegou uma batata-frita.
- Chace, ela está com o Jake agora. E eles estão muito bem! Mesmo.
- E o que tenho a ver com isso? Somos amigos.
- Tem certeza que não? Então por que fica insistindo pra ela sair com você? Sabe, a Shay é legal demais mas eu não vou ser. Você tá afim dela.
Ele engoliu em seco.
- E pode até ser que goste da Ali mas... A gente consegue gostar de duas ao mesmo tempo, não?
- Eu não gosto mais da Alison - disse, entredentes.
- Bem, eu tenho certeza que você gosta mas está magoadinho demais pra admitir.
- E quem é você pra saber?
- Eu conheço as pessoas, Chace. E por isso vou te dar uma dica. Uma vez o Jake quebrou a cara do meu namorado simplesmente por ciúme. Imagino o que ele pode fazer com você
se mexer com a Shay.
- Eu não tenho medo do Jake, Nicole.
- O Justin também não tinha. E bem, a gente tá junto agora. Muita gente diz que somos os dois rejeitados, mas... Se nem a Ali e nem a Shay querem ficar com você, vai ficar
com quem?
Ela pensou que talvez pudesse estar sendo cruel. Mas era difícil evitar de ser uma Blair da vida às vezes.
- E só mais uma coisa... Eu sou amiga das duas. E não quero ver nenhuma sofrer. A Shay tem o Jake, a Alison tem o Enri...
- O quem? - Ele quase gritou.
- Você ainda não sabe?
- Ela tá grávida e já arranjou outro pra foder?
- Fala baixo! Tem muitas crianças aqui!
- Cara, eu sou muito idiota! Ela já tá com aquele... Aquele espanholzinho de merda.
Ele se levantou e saiu da lanchonete. A última coisa que ela viu foi o carro virando a esquina.
Ótimo, tinha perdido a carona.
SHAY
Bati na porta do Justin com o coração saindo pela boca. Ele atendeu e fechou o rosto ao me ver.
- O que você tá fazendo aqui? - Arqueou a sobrancelha.
- Posso entrar?
- Acho que é o quarto errado. O quarto do Ja...
- Eu quero falar com você, Justin.
Ele franziu o cenho.
- Posso ou não entrar?
Ele se afastou, deixando espaço para que entrasse. Seu quarto estava cheio de velas.
- Nossa... - Murmurei.
- Eu estava esperando a Nicole - explicou.
- Tudo bem... - Respirei fundo. - Eu só queria me desculpar.
- Por quê?
- Por tudo, ora. Eu... Magoei você de um jeito que nem eu entendo. Me desculpa, mil vezes.
Ele olhou para os lados. Mexeu no cabelo. Olhou para os pés. Para a cama. E só então me encarou.
- Por que tá fazendo isso agora?
- Porque... Porque é o certo. Antes de tudo você era... é meu amigo, Justin. E eu não quero te perder só porque eu amo o Jake.
- Eu...
- Entendo se não quiser me desculpar mas... Se desculpar, eu vou sempre estar aqui. Como amiga. E eu realmente desejo tudo de bom com a Nicole.
Eu fui até a porta e a abri, mas ele disse algo antes que pudesse sair:
- Obrigado, Shay - suspirou. - E eu também quero que você seja feliz com o Jake.
Sorri.
- Eu vou ser, Justin... Eu espero - franzi o cenho. - É bom tê-lo de volta.
JAKE
Tinha acabado de sair do banho e ainda estava de toalha quando bateram na minha porta.
- Já vai - gritei, esperando que fosse a Shay.
Por mais que estivéssemos acostumados a ver um ao outro pelados, vesti a calça e só então abri a porta.
- O que você tá fazendo aqui? - Falei, entre surpreso e com raiva.
- Vim falar com você - a Hanna sorriu.
- Falar sobre o quê?
- Que bom que você está bem! - Ela me abraçou.
Fechei a porta o mais rápido possível, já que a Shay estava no quarto do Justin.
- Hanna... Eu disse pra não vir aqui!
- Eu precisava! E a Shay não vai me fazer ir embora, Jake.
- Hanna, por favor, desiste - pedi. - Eu não quero nada com...
- Jake? - A Shay gritou, batendo na porta.
- Ótimo! A gente deve mesmo esclarecer algumas coisas - a Hanna disse, atrás de mim.
- Cala a boca - falei e botei a mão na frente da sua boca. - Shay? O-Oi amor.
- Eu posso entrar? - Pediu.
Eu olhei para a Hanna. Ela obviamente ia pensar outra coisa.
- Fica no banheiro. - Sussurrei. - E depois a gente pode conversar.
SHAY
- Oi - falei, assim que ele abriu a porta.
- Oi - ele deu um sorriso de lado.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não - disse, rápido demais.
Engoli em seco. Eu o conhecia bem demais para que ele pudesse mentir para mim.
- Então - falei, me encostando nele. - Agora eu já fiz tudo que tinha que fazer.
Ele respirou ofegante quando abri o primeiro botão da minha blusa e depois perdeu o controle. E me beijou, deitando por cima de mim na cama.
E foi quando alguma coisa caiu no banheiro.
- O que foi isso? - Perguntei, tentando levantar.
- Nada! - Disse, tentando me segurar. - Foi um... Rato.
- Um rato? - Subi as pernas para a cama. - Isso é nojento, Jake.
Ele me beijou de novo, tentando continuar da onde eu parei mas de novo alguém fez barulho no banheiro.
- Jake, o que tem lá?
- Nada.
Arqueei a sobrancelha.
Eu saí da cama e fui até a porta do banheiro, ele tentou segurar meu braço.
- Shay... Volta pra cá e...
Ignorei e abri a porta para dar de cara com a Hanna, só de calcinha e sutiã.
- O que isso significa? - Alternei o olhar para os dois.
ALISON
Eles estavam juntos, conversando, quando o Chace entrou no quarto gritando.
- Você está com ele? - Arqueou as sobrancelhas.
- Como assim?
- Vocês estão juntos, porra? - Ele gritou, fazendo várias pessoas olharem.
- Chace... - o Enrique tentou dizer alguma coisa, mas o Chace interrompeu.
- Que lindo! - Bateu palmas. - Maravilhoso!
- Chace, calma! - Ela se levantou.
- Fica calada, sua puta - falou, seco. - A conversa é com ele. Ou não é macho o suficiente?
- Sou "macho" o suficiente para não brigar. Isso é coisa de moleque. Eu não sou moleque.
- Certo. - O Chace assentiu - é o perfeito corno!
O Enrique semicerrou os olhos.
- Ficar com uma garota grávida que nem sabe o quem é o pai? Tá pedindo pra ser chifrudo, espanhol.
- Chace! - Ela gritou, em vão.
- E você, Alison? Decaiu, não foi? Primeiro eu, depois o professor e agora o novo pegadorzinho da escola. Não tá querendo imitar alguém?
- Que porra, Chace! Me deixa em paz, sério! E, por favor, cresce! - Perdeu a paciência. - Eu posso estar com quem eu quiser, a hora que eu quiser!
- Não quando tá com um filho meu na barriga.
- Você não sabe se é seu!
- Se for, quero longe desse...
- Desse o quê, rapaz? - O Enrique provocou. - Fala.
- Desse corno - ele chegou perto, ficando cara a cara com o Enrique.
Eles eram da mesma altura e os dois eram incrivelmente lindos. Era uma decisão difícil.
- Corno é você. Que foi traído duas vezes. - O Enrique deu um sorrisinho de lado.
O Chace tentou partir pra briga, mas a Ali se meteu na frente, gritando.
- Pode parar, Chace! Se quer me ter de volta, prova! Seja homem pelo menos uma vez na vida!
- Eu fui homem! Eu fui mais homem do que aquele seu outro namoradinho. Eu fui com você na droga do teste!
- Era sua obrigação!
- Obrigação porra nenhuma!
Ela engoliu em seco.
- Sai daqui, Chace. Agora!
- Só tenho mais uma coisa a falar. Boa sorte, Enriqueto. Porque essa daí? É uma puta. Vai te trair com o primeiro que aparecer.
Ele assentiu, com os olhos azuis brilhando de ódio. E ele estava lindo.
- Meu Deus... Me desculpe - ela sussurrou.
Abraçou o Enrique e chorou no seu peito. Estando grávida, estava ainda mais emotiva e aquilo não tinha ajudado. Achava que ia explodir em minutos.
- Tudo bem, Ali. Ele é um idiota.
Ela não respondeu mas doía ouvir ele a chamando de puta. Ele fora seu primeiro namorado, afinal. Ele era especial. Não podia apagar a história que tinham.
SHAY
Minha mão começou a coçar e meu coração a bater à 500 por segundo, meus olhos enxeram de lágrimas e eu tive que me segurar para não dar um bom trato naquela vadia.
- O que essa puta tá fazendo
desse jeito no seu quarto, Jake? Posso saber? - Cruzei os braços.
- E-Eu não sei! - Ele disse, confuso. - Ela...
- Fala, Jake! - Gritei, em cima dele. - Fala agora!
- Ela não estava assim quando eu botei ela pra...
- Pra dentro do banheiro? - Arqueei as sobrancelhas. - Por que você fez isso?
Ele abriu a boca, mas a Hanna respondeu.
- Porque ele não queria que você me visse, eu acho.
Olhei para ela.
- E o que você tá fazendo aqui?
Ela franziu o cenho, o que fez as sobrancelhas ficarem maiores.
- Eu vim falar com o Jake! Ele era meu amigo antes de ser o seu namorado.
Engoli em seco.
- E você deixou ela entrar? Sem me contar?
- Eu pensei que fosse você - ele disse.
- Agora tá me comparando com isso? - Apontei pra ela. - Muito obrigada, "amor".
- Eu estou indo agora - a Hanna disse. - Foi bom ver você, Jake... Espero que não seja a última vez.
Ela abaixou a cabeça e saiu do quarto, como se fosse coitadinha.
Olhei para o Jake, fuzilando-o com os olhos.
- Eu não fiz nada, Shay! Mas precisava tratar ela daquele jeito? Ela saiu daqui arrasada...
- Vai atrás dela. Vai, pode ir - falei, morta de ciúmes, raiva e confusão.
Ele deu um sorriso de lado e botou meu rosto entre suas mãos.
- Você fica linda com ciúmes.
Me desvencilhei de seus braços.
- Ciúmes? Não. Eu só quero entender o que ela fazia aqui. - Disse, entredentes. - E daquele jeito.
- Eu posso explicar. - Ele disse a frase oficial dos culpados.
- Espero.
- Ela veio aqui falar comigo... Eu disse que podíamos nos encontrar outro dia mas ela veio aqui de surpresa... E quando eu atendi ela pulou em mim e me abraçou.
- Você ia se encontrar com ela sem me dizer?
- Shay, eu não podia! Você não ia querer.
- Com razão! Jake, ela queria beijar você! Ela foi a culpada de todo o acidente!
Ele olhou para o lado.
- Ela não foi a única culpada, Shay.
- O que quer dizer com isso?
- Se você não tivesse feito todo aquele escândalo, eu não teria quase morrido! Você não teria quase morrido!
- Você tá botando a culpa em mim?
- Não, eu só...
- Você tá defendendo ela! - Falei. - Não acredito!
- Shay, eu amo você. Mas a Hanna é minha melhor amiga há anos!
- Melhores amigos não dormem juntos! E você sabe que ela gosta de você, Jake!
- Mas eu não gosto dela!
- Sério? Então por que tá defendendo a sua amiguinha?
- Porque foi o que aconteceu! Eu perdi três meses da minha vida, Shay. Três meses.
- Me desculpe. Mas eu também não vivi durante esses três meses!
- Mas você andou, comeu, falou, estudou... Tudo que eu não fiz. Porque você não quis acreditar em mim!
- Quer saber? Foi tudo culpa minha. Mas eu não vou mais te atrapalhar. - Peguei minha bolsa. - Pode viver a sua vida e recuperar esses três meses. Ah! E talvez dê tempo de comemorar
com a Hanna.
- Shay, aonde você tá indo?
- Pro meu quarto, ora. Pensei que tinha sido clara. - Suspirei. - Acabou, Jake. E dessa vez pra sempre.
JAKE
Fiquei olhando para a porta por vários minutos, sem chão. Não sabia o que fazer.
- Droga - sussurrei, aumentando o volume da voz. - Droga, droga, droga!
Chutei a cama com o pé que ainda estava em recuperação. Não me importava se quebrasse ou ficasse aleijado para sempre.
Deitei na cama e fiquei olhando para o teto por um tempo indefinido.
Não que tenha se arrependido de ter dito aquilo, mas talvez tivesse dito em uma hora ruim ou de um jeito ruim. Agora ele estava sozinho. De novo. E por que ela estava magoada,
não por traição ou algo assim. Dessa vez, não havia outro. Fora tudo culpa minha.
CHAPTER TWENTY-FOUR
ALISON
- Bom dia - ela disse, sorrindo para o Enrique.
- Bom dia, princesa - selinho. - Tudo bem?
- Tudo ótimo - abriu seu armário - nesses dias, eu não estou passando mal e...
Algumas meninas do primeiro ano passaram, cochichando e dando risadinhas irritantes. Aquilo era frequente desde o escândalo do Chace.
- Sabe, vocês poderiam tirar uma foto. Vai durar mais - ela disse.
O Enrique deu um sorriso caloroso enquanto as calouras saíam, como se fossem gente.
Ela olhou para dentro do armário para pegar seu livro de biologia, mas seus olhos foram para o calendário pendurado na porta. Dia 23.
- Espera. Hoje é que dia?
- Sexta feira.
- Não. Do mês.
- Acho que é dia... Vinte e três. - Ele disse, franzindo o cenho. - Algo errado?
- Não, é só que... Hoje é o dia de pegar o resultado - seu coração acelerou. - Hoje eu vou saber quem é o pai.
Ele arregalou um pouco os olhos.
- Quer que eu vá com você?
- N-Não... Eu posso ir sozinha. E de qualquer forma, vou precisar contar sozinha também.
- É uma pena. Eu gostaria de contar com você.
Sorriu.
- Eu preciso fazer isso sozinha. E além disso, nada vai acontecer. Você confia em mim, certo?
- É claro que confio - ele a beijou, levantando-a do chão.
- Acho melhor acharem um quarto - a Shay disse. - Ou então, procurem um lugar mais reservado.
SHAY
- Acho melhor acharem um quarto. Ou então, procurem um lugar mais reservado.
- Estamos só nos despedindo - a Ali disse. - E você?
- Eu vou faltar a aula de química - revirei os olhos. - Não estou falando direito... Com o Jake.
- Terminaram de novo? Sabe, é um novo record.
Ignorei.
- Shay, você não pode faltar aula por isso.
- Mas é que é muito recente. - Engoli em seco. - Não sei se vou... Vou conseguir ficar olhando para ele.
A Alison revirou os olhos.
- Você não está grávida, Shay. Não torne as coisas complicadas se não são.
Respirei fundo.
- Eu vou com você até a sala - Enrique disse. - Vamos, maninha.
Revirei os olhos quando ele botou o braço nos meus ombros, como me protegendo. Ele me levou até a sala 102 e parou na porta.
- Vai precisar de ajuda?
- Não. Obrigada por me mandar até aqui - revirei os olhos, sorrindo. - Você é um péssimo irmão.
- Também te amo - sorriu.
Me virei e respirei fundo, olhando para o Jake de cabeça baixa. Me sentei ao seu lado, sem falar nada.
- Voltou atrás? Pensei que não ia vir à aula hoje.
- Eu não vou faltar por besteiras - engoli em seco.
- Shay... - Ele pegou na minha mão.
- Não, Jake. Eu disse que era de vez. - Respirei fundo. - Afinal, você tem três meses para recuperar não? Devo trocar de par com alguma caloura?
Ele revirou os olhos.
- Quando vai parar com isso, Shay? Já faz quase duas semanas.
- Você disse que perdeu três meses da sua vida. Vou ajudá-lo a recuperar.
- Mas eu quero recuperá-los com você.
Sorri.
- Bem, não foi isso que me pareceu.
- Eu já disse que a Hanna fez aquilo de propósito.
- Mas eu vi o jeito que você olhou para ela.
- Ciúmes? Você sabe que é bem mais bonita do que ela, Shay.
Olhei para ele.
- Você é inacreditável. - Bufei. - Se não achasse ela bonita nunca teria perdido sua...
- Se eu não achasse você perfeita nunca teria namorado você.
Engoli em seco.
- Eu sei que é apenas ciúmes, Shay. Eu ainda gosto de você, você ainda gosta de mim. Por que tem que ser tão difícil?
- Vá se foder. Você não sabe nada sobre mim! - Revirei os olhos e me levantei, sem ligar quando o professor perguntou aonde iria. Apenas tinha que sair dali.
ALISON
- Boa noite - ela disse à recepcionista - eu vim pegar resultados de um teste.
- Ah, é claro. - Ela olhou para ela por alguns segundos. - Seu nome, por favor?
- Alison Montgomery - ela disse.
Ela digitou no computador durante alguns minutos. A Alison estava impaciente, batendo os dedos na mesa.
- Ah, certo - ela disse. - Pode esperar cinco minutinhos, querida?
- Na verdade não. Eu tenho que voltar exatamente às sete e vinte, porque senão não conseguirei falar com... Nenhum dos dois pais.
- Querida, só precisa falar com um. Apenas o pai.
Ela semicerrou os olhos.
- Não é apenas imprimir? Não pode fazer isso em dois segundos?
- Bem, você precisa assinar assim como a supervisora do hospital.
- E cadê a supervisora?
- Ainda não chegou... Por isso tem que esperar.
- E se ela não chegar em cinco minutos?
- Você vai ter que esperar mais tempo.
Ela semicerrou os olhos e pegou o papel da mão dela.
- Se eu fosse você, não me desafiava. Eu tô grávida, com os hormônios a flor da pele e totalmente louca pro chocolate com marshmellows.
- Ei! - Ela ainda gritou enquanto Alison saia na chuva com o papel.
Ela entrou no carro com o coração na mão. A chuva estava cada vez mais grossa e ela estava ensopada, mas o papel estava intacto. Levantou o resultado com as mãos trêmulas,
procurando o nome do resultado.
- Ah meu Deus - murmurou, quando o achou.
[...]
- Oi, Chace - ela disse, com os olhos cheios d'água.
- Alison? O que foi? - Ele disse e tocou seu coração como soou preocupado.
Ela fechou e abriu os olhos. Olhou para o teto.
- Você sabe que dia é hoje? Dia vinte e três.
- O dia de pegar o resultado.
Ela estendeu a mão que estava tremendo. Seu cabelo tocou na pele, deixando-a com mais frio.
- Pega isso - ele deu um casaco à ela. - Você está bem? Quer que eu vá com você?
- Eu já fui - respirou fundo. - Eu já sei quem é o pai, Chace.
Ele pegou o papel da minha mão e leu. Demorou vários minutos para que olhasse na sua cara de novo.
- Eu... - Ele disse.
- É - assentiu.
- Eu não sou o pai? - Ele perguntou, parecendo desapontado.
- Não. - Ela suspirou. - E-Eu não sei o que devo dizer... Se digo sinto muito ou parabéns.
- Como você vai dizer para o Ian?
- Eu não sei... Só achei que devia vir aqui primeiro.
- Jogar na minha cara que sou incapaz até de te fazer um filho?
- Não! - Franziu o cenho. - Eu gostaria que você fosse o pai, Chace. Você é responsável. Eu sei que você assumiria ele, que cuidaria dele.
- Mas não sou - ele disse, seco. - Então não tenho nada a ver com isso.
- Eu sei - deu de ombros e se virou para sair do quarto. - Mas... Chace, eu amo você. Mesmo. Eu sempre amei e sempre amarei, mas... Agora eu tenho o Enrique e eu também
tenho um filho com o Ian.
- Sou o rejeitado da história - deu de ombros. - Já me acostumei à isso.
- Mas nenhum outro cara vai ser meu primeiro amor. Meu primeiro namorado. Sabe... Quando você me beijou pela primeira vez... Eu realmente achei que fosse o melhor dia da minha vida.
Ele olhou para o lado.
- E ainda acho. Mas... Nós não somos perfeitos um para o outro, Chace. Se fôssemos, eu não teria ficado com o Ian e você não teria ficado com a Shay. Eu amo você mas... Você não é meu príncipe encantado.
Ela saiu do quarto e ao fechar a porta, fechou os olhos para segurar as lágrimas. Falar desse jeito fez com que se lembrasse como era bom ficar nas noites chuvosas com o Chace, abraçada, brincando, rindo. Talvez
ele não fosse mesmo seu príncipe encantado, não fosse o pai do seu filho... Mas ele sempre seria especial, seria seu primeiro amor. E talvez ela ainda gostasse dele, mas agora não era mais só a sua vontade que contava. Ela
tocou na barriga, apertando de leve e perguntando pra si mesma como seria se o pai dele fosse, na verdade, o Chace.
SHAY
- Você não ia com a Ali receber o teste? - Perguntei ao Enrique quando ele chegou na quadra de basquete.
- E você não tinha que estar no quarto?
Ele pegou a bola da minha mão e fez uma cesta.
- Você é o típico irmão mais velho - revirei os olhos.
- Você que é baixinha demais - disse, batendo na minha cabeça.
Roubei a bola dele e saí correndo pela quadra, como uma criança de cinco anos.
- Nunca mais faça isso, mana - disse e ficou sério. - Shay... O que você acha que eu devo fazer?
- Sobre o bebê?
Ele assentiu.
- Eu acho que... Você... - Engoli em seco. - Nunca se envolver com ex-namoradas. Nunca.
- Ahn?
- Desculpa - botei o cabelo para trás da orelha. - Eu... Confundi as coisas.
- E foi por isso que vocês terminaram? Ele ficou com uma ex-namorada.
- É mais complicado do que isso - suspirei.
- Eu tenho tempo - se sentou na arquibancada.
Sorri.
- Eu... Eu só achei que fosse o certo a fazer, entende?
- Shay, eu sou seu irmão e eu quero saber exatamente o que aconteceu. Me conta.
- A Hanna... A Hanna é uma amiga dele, a melhor... Eles perderam a virgindade juntos e ela gosta dele.
- Tem certeza? Geralmente as garotas têm ciúmes de amigas...
- Eu tenho. Ela mesma já disse isso... Na minha frente. Ela já quase me ameaçou!
- Continua.
- E... Ontem, eu encontrei ela seminua. Dentro do banheiro dele.
- Uau! - Ele bufou. - E o que ele disse?
- Ele disse que não aconteceu nada, que ela tirou justamente para me confundir.
- E você não acreditou?
- Mais ou menos... Mas o que me machucou foi que ele disse... Que ele perdeu três meses da sua vida foi culpa minha.
O Enrique ficou calado.
- Sério, Shay? De tudo isso foi a isso que você se importou?
- Como assim?
- Tinha uma garota seminua no banheiro dele e você se importa justamente com uma coisa que ele falou quando estava com raiva?
Dei de ombros.
- Shay, olha pra mim. - Continuei olhando para o chão. - Olha para mim, Shay.
- O que foi?
- Admite pra si mesma que você tá com ciúme... E não porque ele te magoou com palavras.
- Mas...
- Você sabe que o que te incomodou foi a Hanna.
- Também.
- Que mané também, Shay? Foi ela e pronto. Você mesma disse que era a culpada e só porque ouviu da boca dele isso mudou?
Olhei para o outro lado.
- Você não confia nele?
- Confiança tem que ser merecida... E ele perdeu a minha.
- Ha! Admitiu que está com ciúmes!
- Tá! Beleza eu fiquei um pouco... Confusa. O que ela podia estar fazendo lá?
- Armando pra vocês, Shay...
- E se não? E se, na verdade, eles estavam ficando? Porque... Porque quando eu entrei no quarto o Jake estava sem camisa. E estava... Bem excitado.
- Talvez tenha sido porque ele te viu. Afinal, você é minha irmã então tem algo de excitante.
- Sou sua meia-irmã, Enrique. - Revirei os olhos. - E... Talvez seja mais complicado do que isso.
- Talvez - deu de ombros - mas se você quer que seja complicado, a culpa é sua. Olhe pra mim, a minha namorada tá grávida de outro cara e eu tô bem.
Deitei minha cabeça nas pernas dele.
- Pois é, isso que é auto confiança. Sem ofensas, mas como sabe se a Ali não vai acabar se envolvendo com outro cara?
- Porque eu sei que ela não gosta mais deles.
Revirei os olhos.
- Vocês pelo menos já dormiram juntos? Pode ser um jeito de marcar território.
- É claro - bufou, revirando os olhos. - Muitas vezes!
Arqueei a sobrancelha.
- Não! Vocês não fizeram! - Fiquei boquiaberta. - Quem diria que o grande Enrique seria respeitador?
- Isso não quer dizer nada.
- Enrique, não me leva a mal mas... Ela já fez com duas pessoas antes e com uma delas ela vai passar muito tempo daqui em diante, então eu realmente acho melhor vocês
resolverem as coisas logo. Ela está com medo e eu sei como é isso. Eu fiquei com medo de dormir com o... - Não consegui pronunciar o nome dele. - Depois da minha gravidez
e esse foi um grande erro. Eu digo, a Ali é impulsiva. Ela pode sentir saudade, carência. Nunca se sabe.
- Quer que eu a pressione?
- Não! Tô dizendo para... Ao invés de estar aqui comigo, fique com ela!
- Ela quis ir sozinha.
- Enrique, você quer... Você quer ficar de vez com ela?
- É claro.
- Então antes de tudo mostre que está sempre ali pra ela, pra qualquer coisa. E então ela vai ceder.
Ele sorriu.
- E você resolva as coisas com o Jake. Todo mundo já cansou desse ioiô.
- Mas ninguém tem a ver com a minha vida, só eu. - Dei de ombros. - Tchau, Enrique.
CHACE
Ele se sentiu péssimo ao saber que não era o pai do filho da Alison. Mas do que admitiria que sentiu.
Se sentia inútil, imprudente e idiota. Inútil por nem conseguir engravidá-la, imprudente por ter fingindo ser alguém que não era só para transar com ela e idiota por
ser tão burro com uma garota perfeita como ela. E agora ela tinha um namorado perfeito que a respeitava mais do que ele fez. Que nunca a deixava na mão.
A culpa toda era sua - pensava. Se não tivesse prestado mais atenção em futebol do que na namorada nunca a teria perdido, não seria agora o corno da história. Porque o Enrique
é namorado oficial dela e o Ian é pai do filho dela. Só ele saíra perdendo. Só ele era o inútil.
JAKE
Também não tinha assistido a aula de química porque segui a Shay. Eu sabia que era errado, mas eu precisava tirar aquilo a limpo.
E deu resultado porque agora eu sabia que ela só estava com ciúmes. Assim como sabia que seria quase impossível reconquistá-la, fazê-la mudar de ideia.
Não fazia nada com a Hanna há bastante tempo, desde que dormi com a Shay pela primeira vez eu simplesmente não consegui mais pensar em outra garota. Eu tentei. Fiquei com umas
cinco ou seis que nem sequer lembrava o nome. E com a Nicole.
- Eu sabia que você tava aí - o Enrique falou, vindo até mim.
Nunca havia falado com o Enrique. A Shay tinha dito para nos conhecermos e eu certamente faria já que eu sempre fazia tudo que ela pedia, sempre. Mas nunca havíamos de fato
nos falado. Nem sequer tinha prestado atenção nele. E quando o vi não foi uma sensação boa. Eu era considerado alto com meus 1,79 mas perto dele parecia uma anta perto de uma girafa.
- E foi por isso que perguntei aquilo. De nada.
- Sobre os ciúmes? Eu já desconfiava disso.
- Mas agora tem certeza.
Semicerrei os olhos.
- Por que você tá me ajudando, exatamente?
- Porque a Shay as vezes enche o saco. Demais. E também é muito teimosa.
- Eu sei - assenti.
- Eu nunca falei com você, Jake mas... Quando ela estava em Paris e vocês, separados, ela não parou de pensar em você. E agora também não consegue.
- Eu também não paro de pensar nela nem um momento.
- Também sei que você era o... Pegador da escola.
Sorri.
- É, pode-se dizer que sim.
- Eu também era assim na Espanha. E era muito bom. - Ele olhou para cima. - Mas a gente se apaixonar estraga tudo.
- Sério, por que você tá tendo essa conversa comigo?
- Porque eu não conheço ninguém aqui e você soa... Exatamente como eu. Apaixonado.
- Todo mundo sabe que eu sou apaixonado pela Shay. As garotas respeitam, apesar de terem umas atiradas.
- Eu sei como é isso. - Sorriu. - E talvez seja por isso que estamos muito mais sujeitos a cometer erros.
- Eu não cometi erro. Eu não fiquei com a Hanna.
- Mas ela nunca vai acreditar em você, Jake.
Bufei.
- Eu e a Shay sempre brigamos e sempre voltamos no final. É uma de nossas coisas.
- Se eu me lembro, você terminou da primeira vez.
- E eu corri atrás dela depois.
- Dessa vez tinha tem uma garota na história. E uma garota que ela não gosta.
- O que quer dizer com isso?
- Que você tem duas opções: ou desiste dela ou vai ralar muito pra reconquistá-la. Ela não vai dar o braço a torcer por mais que goste de você.
- Ela me ama - falei, certo disso. - E eu vou lutar por ela nem que tenha que morrer pra isso.
- Boa sorte, meu chapa. - Ele bateu no ombro. - Espero que a gente possa ser amigos.
ALISON
Ela ainda teve que esperar alguns dias para finalmente tomar coragem em falar com o Ian. Fora exatamente as cinco horas, um horário em que ele com certeza estaria em casa.
- Quem é? - Gritou.
- S-Sou eu. Alison - ela disse, com a voz trêmula.
Ele abriu a porta em segundos. Seu rosto estava bem confuso.
- O que você tá fazendo aqui, Alison?
Ela olhou para trás e para os lados.
- Eu posso entrar? É importante. - Pediu.
Ele se afastou, dando espaço para que ela entrasse. O lugar não havia mudado desde a última vez que estivera lá.
- O que foi? - Cruzou os braços.
- Eu tenho uma coisa pra te dizer... Ou mostrar.
- Não tire a roupa, Alison. - Disse, relembrando de um fato que ela já fizera.
- Não vim fazer isso. Eu tenho namorado e eu o amo - disse e sorriu - é algo mais sério que sexo.
Ela entregou para ele o resultado do teste, meio amassado. Ele o abriu e levou alguns segundos para ler.
- Como eles podem saber?
- Com isso - jogou a camisa pra ele. - Acho que devia ter botado na lavanderia.
Ele pegou a camisa ainda no ar.
LIKE A NINJA. APARECE JERRY: PURPLE NINJA. FUCK YOU. :P
- O filho é seu, Ian. - Ela respirou fundo.
Não sabia qual seria sua reação, não gostava nem conseguia imaginar o que ele poderia fazer.
E ele fez a coisa mais inesperada do mundo.
Ele foi até ela e a abraçou, um abraço caloroso, passando seu rosto pelos seus cabelos. E depois olhou para ela, sorrindo.
- Você está usando crack? Está drogado? - Ela perguntou, confusa. - Eu acabei de dizer que você é o pai!
- Eu ouvi! E eu... Eu fiquei feliz - franziu o cenho. - Não sei bem porquê.
- Feliz?
- Eu sempre quis ser pai, Alison. Talvez não seja a hora certa mas talvez seja! E fico feliz por você ser a mãe. - Ele se aproximou dela, tentando beijá-la.
Ela o empurrou.
- Eu disse que tenho namorado, Ian.
- O quê? Você voltou com o Chace?
- Não é o Chace... É o Enrique. Mas... Eu não te devo satisfações.
- Agora deve. Sou pai do seu filho.
- E é isso que existe entre a gente. Esse bebê! Nada mais. Eu tenho namorado e estou muito feliz com ele.
- Me desculpe.
Ela pegou a bolsa.
- Ainda não acabou... Eu ainda venho conversar. - Andou até a porta mas antes que saísse, lembrou. - Semana que vem vou fazer a primeira ultrassom... Vou descobrir o sexo
do bebê. Se quiser me acompanhar, você...
- Eu vou. - Disse e sorriu. - Eu te ligo.
Ela fechou a porta e se encostou nela. Não esperava, em nenhuma circunstância,
essa reação dele. Todas, menos essa. Era tão... Surreal e incrivelmente inesperada que nem
parecia que realmente tinha acontecido. Ele fora respeitador, carinhoso e verdadeiro. Teria sido até mais fácil se eles ainda estivessem juntos. Ela podia imaginar ele pondo-a em
seu colo e beijando sua barriga, mas logo botou esses pensamentos para longe. Agora estava com o Enrique e era com ele que iria ficar.
SHAY
- O que é isso? - Perguntei ao Jake quando ele apareceu no meu quarto com um buquê de rosas.
- Um pedido de desculpas.
Engoli em seco.
- Isso não vai funcionar, Jake. - Neguei com a cabeça. - E eu preciso... Fazer qualquer outra coisa.
- Shay... - Ele pediu. - Quando vai parar com essa besteira?
- Besteira? Bom saber. - Fechei a porta.
Ele botou o pé para que não fechasse. E entrou no quarto.
- Eu comprei isso do outro lado da cidade - apontou com o queixo para o buquê - e depois andei metade da escola com as pessoas me olhando.
- Eu não pedi que fizesse isso, Jake.
- Mas eu fiz. E eu faria de novo por você, Shay.
Dei de ombros.
- Acho que você pode dar esse buquê para outra pessoa. - Falei.
- Como?
- A Hanna, por exemplo. Eu acredito que ela queira falar com você.
Revirou os olhos.
- E quer. Me ligou três vezes hoje... Mas está diminuindo. Semana passada, ligava mais de sete.
- Você devia falar com ela. Dói demais quando o garoto que gostamos não quer nada com a gente.
- Assim como dói quando a gente corre atrás da garota e ela nos ignora.
- Ela não tá te ignorando.
- Eu não gosto dela. E você sabe disso.
- Eu não sei de nada. Só que - peguei o livro de física - preciso estudar.
- Shay. Você sabe física. Eu estudei com você.
- Então, eu preciso estudar geografia.
- Para um teste que vem daqui há duas semanas.
Revirei os olhos.
- Então, eu preciso... - Pensei em alguma coisa. - Fazer qualquer coisa menos estar com você.
- Shay, sério? - Ele riu, lambendo os lábios. - Essa garota ciumenta não parece com você.
- Eu já disse que não é ciúme! Você disse que perdeu três meses da sua vida e agora vai recuperar! E se me recordo bem, você sempre estava com garotas. E nunca as repetia.
- Isso foi antes de você.
- Ótimo! Vamos fingir que nunca começamos a namorar. Vamos esquecer tudo. Você simplesmente é um garoto com problema com o pai que dorme com a melhor amiga e com todo mundo da escola. E
eu sou...
- A namorada do Justin?
- Eu sou simplesmente uma aluna que não gosta de você.
Ele revirou os olhos.
- Shay, qual é. Para com isso, por favor.
Eu me sentei na cama e fiquei ignorando ele por alguns segundos.
- Você vai fingir que eu não existo?
- Não, Jake. Eu só quero silêncio.
Ele bufou.
- Tá, Shay. Me desculpa. Eu errei de ter escondido a Hanna no banheiro, eu errei em falar com ela! Agora, me perdoa, por favor. Eu não aguento mais.
ESSA FRASE É TIPO... MUITO VERDADE D:
- O perdão é uma palavra tão simples... Mas tão complicada quando está ferido. - Olhei para ele. - Não?
- Shay...
- Talvez eu te perdoe depois mas... Agora não. Eu achei uma pessoa quase pelada no seu quarto e isso foi difícil. Não sei mais se posso confiar em você.
- E o que eu deveria fazer?
- Recupere seus meses... Todos que perdeu comigo. Volte a ser o velho Jake, se divirta, beije, durma como se não houvesse amanhã.
- Você sabe que eu não vou fazer isso.
- Estou dizendo para fazer... Só... Siga em frente. Se for feito pra ser, vai ser... Senão, a vida vai nos levar para outro lugar.
Eu olhei para baixo enquanto ele saía do quarto. Ele mesmo estava chorando.
POR FAVOR, IMAGINEM EM AMANHECER PQ NÃO POSSO BOTAR O GIF SENÃO CHORAREI TBM.
- É hora de seguir em frente - falei para mim mesma.
[...]
- Isso seria ótimo - eu disse à Heather, sobre fazer mechas coloridas no cabelo - pra você. Não em mim.
- Pensei em rosa. Ou roxo - ela disse, bebendo o café. - Ou talvez verdes.
Revirei os olhos.
- Você tá bem?
- Estou - franzi o cenho.
- Eu... Eu ouvi sobre você e o Jake. Não que a escola esteja só falando disso mas...
- Eu sei que a escola está falando disso, Heather - olhei para algumas meninas que me encaravam. - E já faz duas semanas, quase.
- Duas semanas? E como só fui saber disso agora?
- Porque você fica com seu namorado - sorri.
Ela semicerrou os olhos.
- Isso foi por causa de algum garoto? Você tá gostando de outra pessoa?
- Não... Eu não estou com ninguém. Não mais.
Ela fez cara de dó.
- Talvez você precise mudar um pouco... Fazer um corte no cabelo, sei lá.
PARECE FAMILIAR, NINHO? SEMPRE JULGANDO OS OUTROS.
- Eu não vou me mudar para agradar ninguém, Heather. Muito menos meninos. Se gostar de mim, tem que ser pelo que sou. - Franzi o cenho. - E não tem nada de errado com meu cabelo!
Olhei para o lado esquerdo e vi o Jake andar pelo corredor com óculos escuros. Por um breve momento, me esqueci como respirar.
Ele estava de jaqueta de couro marrom, óculos escuro e a barba por fazer. Estava lindo, como sempre.

- Shay - a Heather me chamou.
- Oi - falei, piscando.
- Você com certeza não está afim de outra pessoa. Você ficou olhando pra ele por... Uns cinco minutos.
- Que exagero! - Revirei os olhos. - É só que...
- Você ainda gosta dele, eu sei como é - sorriu, solidária - eu passei meses negando meu sentimento pelo Sam.
- Eu não neguei nada. Ele sabe que eu ainda gosto dele... Só achei que fosse melhor para nós dois.
- Tem certeza? - Ele perguntou, atrás de mim.
Olhei para ele, tentando não abaixar os olhos para seu tanquinho ou para o lugar entre as suas pernas, mas nos seus olhos.
CACIQUE S3
- Oi, Jake - arqueei as sobrancelhas.
- Você disse para voltar pra quando nós não estávamos juntos. - Arqueou a sobrancelha. - E eu percebi que quando não estava com você, estava correndo atrás de você.
Franzi o cenho.
- Eu não disse...
Ele botou o dedo indicador nos meus lábios.
- E se é isso que você quer, eu vou fazer.
- Não é isso que eu quero. Eu disse... - Puxei ele pela mão, para dentro da primeira sala que vi. E foi a do zelador.
AMO AMO AMO. - Eu disse que era para seguirmos em frente.
- Esse sou eu seguindo em frente.
- Não... É você se amarrando ao passado. Eu pedi que parasse.
- Não, você disse que estava com ciúmes. - Revirei os olhos. - E eu quero provar que não tem porquê.
- Isso é... Isso é fofo da sua parte mas não acho que possa provar isso. Você sente falta dos tempos de... Pegador, Jake.
Ele riu e tirou os óculos.
- Sabe por que eu era assim? Porque eu não tinha ninguém para ficar comigo... Alguém que me entendesse. Você acha que eu já falei com alguém mais todos os problemas com meu pai?
- Eu ainda posso ser sua amiga.
- Não, Shay. Eu não quero ser seu amigo. Eu quero mais. Eu quero você.
Sorri e toquei o seu rosto.
- Você é perfeito, Jake... Mas eu acho que não somos feitos pra ser. Nós... Brigamos demais, tem muita gente contra nós...
- A Hanna? Eu não quero ela, Shay.
- Eu sei. - Menti.
Ele semicerrou os olhos.
- Eu não entendo, Shay. Acho que ninguém entende, sério... Por que não admite que ficou com ciúmes?
Lambi os lábios e suspirei.
- E por que você não admitiu? Porque fez com que eu mentisse pro Chace, simplesmente por que acha que ele quer sair comigo?
Ele abriu a boca para responder, mas não o fez.
- Viu? O Chace é meu amigo, Jake. Se ele quisesse sair comigo... Teria dito. A Hanna disse e você deixou.
- Eu não deixei!
- Você deixou ela entrar no seu quarto. Você escondeu ela de mim! - Botei a mão no peito dele. - Eu menti para meu amigo, eu fiz minha amiga mentir... E por você. E logo
que aparece uma coisa que você acha que não vou gostar você esconde.
- Porque...
- Porque eu não ia gostar? Não é uma boa resposta. Isso foi falta de respeito por mim. E se eu não visse? Você ia transar comigo enquanto ela estava no banheiro? E depois? Era a
vez dela?
Ele não falou nada.
- Viu? Quando é jogado na cara é bem pior. - Engoli em seco. - Eu disse que acabou. E acabou. Não pense que vou voltar pra você correndo como das outras vezes... Eu ainda o amo,
mas eu posso esquecer isso. Acabou de vez, Jake.
ALISON
- Senhorita Montgomery, poderia ficar mais alguns minutos, por favor? - Ian pediu, quando o sinal bateu.
O Enrique a olhou de modo possessivo mas ela respirou fundo e o deu um selinho.
- A gente se vê depois, tá certo?
Ele se retirou da sala mas nada satisfeito. Ian esperou que todos saíssem para que finalmente falasse.
- Está tudo bem?
- Comigo?
- Sim, com você e com nosso... - Ele levantou as sobrancelhas, olhando para a barriga.
- Estamos - respondeu, se cobrindo com o casaco. - Obrigada por perguntar.
Ele deu um sorriso torto e procurou alguma coisa dentro de uma gaveta. E por fim, deu para ela um cartão.
- O que é isso?
- Ele é o médico da minha família... Sempre foi. Eu pensei que talvez você pudesse ir lá.
- Eu já tenho meu médico. - Devolveu o cartão.
- Mas eu gostaria que fosse. É só o que peço, Ali.
- Alison. Meu nome é Alison e não Ali. - Disse. - E não, obrigada. Aliás, não acho nem que você devesse pedir alguma coisa.
- Me desculpe, mas esse filho é meu também.
- Mas quem vai carregar ele por mais cinco meses sou eu. E quem vai parir, sou eu. Então, eu escolho o médico e já escolhi.
Ela se virou para que pudesse sair da sala, mas antes ele falou:
- Então, posso ir até ele com você?
- Por quê?
- Porque eu quero estar junto, Alison. Porque quero saber qual é o sexo do meu filho. Eu preciso saber.
Ela engoliu em seco.
- O Enrique já vai comigo.
- Mas eu sou o pai. Ele é apenas o seu namorado.
- Eu... Não sei.
- Por favor, Alison. Isso é importante para mim.
Ela suspirou e anotou em um papel o endereço e o horário para ele.
- Pronto. Tá aqui - olhou para ele.
- Obrigado.
Eles ficaram alguns segundos se olhando, daquela maneira romântica a misteriosa e então ela saiu.
CHAPTET TWENTY-FIVE
UM MÊS DEPOIS
Estávamos jogando basquete. Eu e o Chace. E eu estava levando uma surra. Eu sentei um pouco no chão, cansada e suada.
- Você joga bem demais pra mim - bebi água. - Nunca mais faço nada com você.
- Ei! Você disse que achava que estava engordando. Eu só estou ajudando.
- Eu disse que queria melhorar o corpo, não que estava engordando. Só queria ser melhor nos esportes, seu idiota! - Joguei água nele.
Ele riu e bebeu a água dele. Ficamos sentados por alguns minutos, em silêncio.
- O que você quer fazer agora? - Ele perguntou.
- Descansar - deitei no chão, sem me importar se estava sujo. - E você?
- Tanto faz. Sou o vencedor e nem estou cansado.
Revirei os olhos e sorri para ele, que se deitou ao meu lado. Ele deu um sorriso caloroso também, a franja praticamente molhada de suor.
- O que vai fazer amanhã?
- Nada - suspirei. - Amanhã é feriado e não tenho nada pra fazer.
- E o melhor, é sexta feira. - Ele sorriu. - Quer sair comigo? Eu não ia fazer nada mas quando se tem companhia fica bem melhor.
- É verdade - assenti, me sentando novamente - eu... Eu te ligo mais tarde. Preciso de um banho.
Ele sorriu, concordando.
- Até mais tarde, fracassada.
- Mas eu ganho de você em qualquer outra coisa. Duvido passar três horas em pé em um sapato de dezoito centímetros. - Arqueei a sobrancelha direita. - Não me subestime, Crawford.
Ele me abraçou, os dois suados. Pode até ser nojento, mas a gente se abraçou mesmo assim. E depois ele pegou a minha mão. Ele já tinha feito isso alguma das vezes e estava ficando
cada vez mais frequente, tanto que eu já nem me esquivava mais e soltava minha mão logo, eu simplesmente deixava. Já haviam boatos que estávamos juntos, já que uma vez nós
andamos de mão dadas, rindo.
E o Jake nunca mais havia falado comigo. Apenas na aula de química e apenas
sobre a aula de química. Tinha ouvido que ele estava com alguém mas ignorei porque estava na cara
que era mentira. Ou pelo menos esperava que fosse.
Eu já não pensava nele o tempo todo, talvez estivesse até gostando do Chace, já que passava tanto tempo com ele, mas ele ainda aparecia nos meus pensamentos de vez em quando.
E ainda havia a Alison que provavelmente ficaria chateada com aquilo, já que ela ainda gostava um pouco do Chace.
- Shay, eu... - Ele começou a falar, mas foi interrompido por meu celular tocando.
- Desculpe - me ajoelhei, procurando na bolsa. - É a Alison.
Ele olhou para o lado, chateado. Eu suspirei e atendi:
- Ei, Shay. Vai fazer alguma coisa amanhã?
Olhei para o Chace.
- Eu ia... Mais ou menos. Talvez, sei lá.
- Que indecisão! Vai ou não vai?
- Vou.
- Com o Chace?
Não falei nada.
- Vocês estão ficando?
- Não... Não estamos. E-Eu passo aí depois, Ali. E aí a gente conversa, sim?
Eu desliguei antes que ela respondesse. O Chace deu uma desculpa esfarrapada e saiu, me deixando sozinha.
ALISON
Ela não queria ter ciúme do Chace, mas tinha. Era inevitável, principalmente quando se tratava da Shay, já que eles já tinham ficado. Sempre tentava ficar feliz por eles,
imaginá-los juntos, mas não conseguia. Era doloroso demais ver o Chace namorando outra garota. Ainda mais uma garota que era sua amiga e sua cunhada.
Saberia o sexo do bebê em uma semana, porque a consulta fora adiada. O Enrique iria com ela, assim como o Ian. Ela já via que aquilo não ia dar certo, mas não tinha o que fazer.
E o bebê se mexia dentro da sua barriga, agora com cinco meses. Podia ver que muitas de suas roupas já não cabiam mais, o que era horrível! Ela tinha se matriculado em uma academia
para manter a forma mas era preguiçosa demais. Ela sabia que tinha que começar, senão quisesse ficar obesa e pelancuda.
Achava que fosse uma menina e esperava que fosse. Meninas são mais delicadas, engraçadas e inteligentes que os meninos.
Ela amava o bebê, não importava o sexo. Só os seus "três" namorados ainda a confundiam. E muito.
SHAY
Bati na porta do quarto da Alison três vezes antes que ela a abrisse. Ela estava com uma trança no cabelo e usava moletons que pareciam maior que ela mesma, mas eu sabia
que aquelas roupas eram apenas para disfarçar a barriga - que, já com quinze semanas começava a aparecer. Ela deixou a porta aberta e sentou-se em sua cama.
- Oi - ela disse, para mim assim que fechei a porta.
- Oi - respondi, com vergonha. - Como você está?
Ela deu de ombros e pegou alguma coisa de cima de seu criado-mudo.
- Você gosta de castanha não é? - Ela perguntou, me oferecendo umas mas neguei - O que foi?
- Você me chamou aqui, lembra? - Sorri, porém ela não me acompanhou. - Tá tudo bem?
- Eu sei o que tá rolando - ela semicerrou os olhos.
- Rolando? Como assim?
- Entre você e o Chace - ela engoliu em seco. - Por que você não me diz logo?
- Dizer o quê? Nós somos amigos!
- Ah, claro. - Ela revirou os olhos. - Shay, eu pensei que você fosse minha amiga.
- Eu sou, Ali! - Suspirei. - Se tivesse realmente alguma coisa rolando entre mim e o Chace, você saberia.
Ela me olhou pelo reflexo do espelho, desconfiada.
- Mas não rolou ainda? Ou não vai?
- E-Eu... Eu não sei. Eu ainda penso um pouco no Jake.
Ela virou pra mim e deu um longo suspiro.
- Você tem é que esquecer esse Jake. Ele já tomou muito tempo da sua vida - ela sorriu. - Na verdade, acho que você devia conhecer novas pessoas. Sair em encontros.
- Encontros? Não, obrigada - sorri.
- Vai sim! Na verdade, vou pedir pro Enrique arranjar algum amigo pra você agora.
Ela pegou o celular e ligou para o meu irmão, trancando-se no banheiro. Eu havia notado como ela disse "novas pessoas" e não simplesmente para eu investir no Chace. Não que
eu fosse investir, mas era inegável que nós tínhamos sintonia. E de vez em quando rolavam aqueles climas que sempre me deixavam constrangida depois.